O cardeal mexicano Norberto Rivera Carrera, 70 anos, estava entre os favoritos para suceder o Papa Bento XVI, mas anunciou que iria se "autodescartar" da corrida para continuar o seu trabalho no país. A decisão pode beneficiar outro cardeal da América do Norte, o canadense Marc Ouellet, 68 anos, ex-arcebispo de Québec. Além de falar espanhol e ter fortes laços com a América do Sul, Oullet pode reforçar as posições mais conservadoras da Igreja.
Foto de dezembro de 2012 mostra o Cardeal canadense Marc Ouellet durante missa na Basílica de São Pedro
Foto: AFP
A saída de Carrera da disputa limita ainda mais as possibilidades do próximo papa ser latino-americano, num quadro em que já haviam poucos candidatos. Mas se quiser agradar aos latinos, a Igreja pode optar por Marc Ouellet, que trabalhou por onze anos na Colômbia e desde 2010 lidera a Pontifícia Comissão para a América Latina, organismo que estuda os problemas doutrinais e pastorais da Igreja.
A opção por Ouellet, que também é prefeito da Congregação dos Bispos, faz sentido caso a Igreja esteja buscando um equilíbrio entre a inovação e a tradição. O cardeal seria diferente por não ser europeu, mas não realizaria grandes reformas de doutrina, já que é considerado extremamente conservador dentro da Igreja Católica.
Durante o seu período como arcebispo de Quebéc, de 2003 a 2010, Ouellet foi veemente ao manifestar suas opiniões sobre os problemas da sociedade moderna. Entre os episódios que marcaram o seu cargo, estão o seu testemunho no Senado canadense contra o casamento gay em 2005, e um discurso contra o aborto em casos de estupro durante um protesto em 2010.
Para padre Eugene Hemrick, 75 anos, Pesquisador da Universidade Católica de Washington D.C., expor opiniões de forma tão intensa pode ser um risco caso Ouellet seja eleito papa. “Quando você fala assim tão direto, pode fazer mais mal do que bem". Por outro lado, ele acredita que a Igreja precisa alguém que seja firme nas suas opiniões, desde que tenha estudado as questões e tenha uma visão equilibrada.
Um papa canadense também poderia ajudar a Igreja a atrair mais fiéis no país e em outros países desenvolvidos, onde a instituição tem perdido espaço para a secularização. O Canadá também é considerado um país muito liberal nas questões sociais. Em 2005 se tornou o quarto país do mundo a legalizar o casamento gay em todo o território nacional.
Foto de fevereiro de 2013 mostra o Cardeal Rivera conduzindo uma missa na catedral da Cidade do México
Foto: AFP
Ser papa não é glamouroso
Ao pedir para não concorrer ao cargo de papa, o cardeal Mexicano Norberto Rivera Carrera desapontou fiéis Mexicanos. Eles estavam animados com a perspectiva de um líder que iria representar aproximadamente 83% da população que é católica. Ao anunciar a decisão, a Arquidiocese do México apenas se limitou a dizer que Carrera "manifestou o seu desinteresse” porque queria continuar seu trabalho de arcebispo da Cidade do México.
Mas para o padre Hemrick, a decisão é compreensível. Entre as responsabilidades do próximo papa estão lidar com a burocracia e a fragmentação do Vaticano, além de realizar viagens constantes. “É como jogar golfe profissional. Parece muito glamouroso mas você tem que praticar todos os dias, faça chuva ou faça sol, até sangrar as mãos ”.
Entre os papáveis europeus, o cardeal italiano Angelo Scola, 71 anos, é visto como o preferido do papa Bento XVI. O sinal teria sido dado em 2011, quando Joseph Ratzinger promoveu Scola para o comando da diocese de Milão, uma das mais influentes da igreja católica o cargo já alçou a papa dois arcebispos no século XX, Paulo VI e Pio XI.
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Odilo Pedro Scherer, 63 anos, indicou que, para a imprensa estrangeira, ele está entre os mais cotados para suceder o papa Bento XVI. Dom Odilo nasceu em uma família de 13 filhos, de pais descendentes de alemães radicados no interior do Rio Grande do Sul.
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O cardeal nigeriano Francis Arinze, 80 anos, é prefeito regional emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Também visto como um conservador em assuntos como a homossexualidade, Arinze já entrou nas apostas dos "papáveis" no Conclave de 2005, quando Bento XVI foi escolhido como papa. O clérigo nigeriano, que se converteu ao catolicismo aos nove anos, se formou doutor em Teologia em Roma, foi ordenado sacerdote em 1958 e bispo em 1965, sendo que, em 1985, João Paulo II lhe designou como cardeal.
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Jorge Bergoglio, cardeal da Argentina, tem 77 anos. Sua idade, um pouco mais velho que seus adversários, pesa contra no momento em que a Igreja busca por um papa mais jovem. Bergoglio tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida.
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O cardeal Tarcisio Pietro Bertone, secretário de Estado do Vaticano, é o atual camerlengo, como se denomina o administrador de bens e direitos temporários da Santa Sé até a escolha do sucessor de Bento XVI. Bertone nasceu na cidade turinesa de Romano Canavese, em 2 de dezembro de 1934. Membro da Sociedade de São Francisco de Sales São João Bosco (salesianos), estudou no Oratório di Valdocco e no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo (Itália).
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João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, mora em Roma, e será um dos cinco cardeais brasileiros que vão participar do Conclave que elegerá o sucessor do papa Bento XVI.
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O cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova York, está na lista dos mais cotados. Entre os 117 cardeais que votam no Conclave, Dolan se destaca pelo bom humor: está sempre sorrindo e não perde a oportunidade de fazer piadas. Caso seja eleito, sua personalidade pode ajudar a Igreja Católica a reconstruir uma imagem danificada por escândalos sexuais e divisões internas.
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Aos 61 anos, o arcebispo de Budapeste, Peter Ergö, 60 anos, é um dos mais jovens cardeais do Vaticano, mas isso não o impede de defender um catolicismo mais conservador. Como presidente da Conferência Episcopal da Europa, Erdö prega que, apesar das pressões, a Igreja revitalize e dissemine os seus dogmas tradicionais.
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O cardeal dom Cláudio Hummes, de 78 anos, é um dos brasileiros com maior trânsito na burocracia vaticana. Ex-arcebispo de São Paulo, foi prefeito para a Congregação para o Clero (espécie de ministro papal) até 2011. Desde então, é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina.
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John Onaiyekan, cardeal da Nigéria, foi ordenado em 3 de agosto de 1969. Professor de Sagrada Escritura e francês no Colégio São Kizito, Isanlu em 1969, reitor do Seminário Menor São Clemente de Lokoja, em 1971, e estudou em Roma a partir desse ano.
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O cardeal canadense Marc Ouellet já chegou a afirmar que virar Papa "seria um pesadelo", mas este defensor ferrenho da ortodoxia, que viveu muitos anos na Colômbia e comanda a Pontifícia Comissão para a América Latina, é considerado um dos favoritos para suceder Bento XVI. Ouellet, um teólogo de prestígio, de 68 anos, provocou fortes polêmicas em Quebec, a província francófona do Canadá, ao defender nos anos 2000 as posições do Vaticano contra o casamento gay e contra o aborto, inclusive nos casos de estupro, e criticar a "decadência" de uma sociedade na qual duas em cada três crianças nascem fora do matrimônio.
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Oscar Andres Rodriguez, cardeal-arcebispo de Tegucigalpa desde 8 de janeiro de 1993, recebeu a ordenação presbiteral no dia 28 de junho de 1970, pelas mãos de Dom Girolamo Prigione. Foi ordenado bispo no dia 8 de dezembro de 1978 e se tornou cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de Cardeal-presbítero de Santa Maria da Esperança. Apoiou o Golpe de Estado em Honduras em 28 de junho de 2009. Desde 2007 é Presidente da Cáritas Internacional, sendo reeleito em maio de 2011 para o período que se concluirá em 2015.
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O cardeal-arcebispo austríaco Christoph Schönborn, ao contrário, tem uma idade considerada ideal: 67 anos, que lhe conferem ao mesmo tempo experiência e longos anos de pontificado pela frente. A dedicação profunda aos estudos também o aproxima do atual papa, chamado de "pai intelectual" do austríaco.
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O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, de 55 anos, o mais jovem dos cardeais cotados para suceder Bento XVI, é considerado um progressista por sua pregação por uma Igreja humilde, em um país de grande fervor religioso e de muita pobreza. Especialista do Concílio Vaticano II e teólogo brilhante formado nas Filipinas e nos Estados Unidos, Luis Antonio "Chito" Tagle tem trinta anos a menos que Bento XVI, o Papa que renunciou aos 85 anos por falta de forças.
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Peter Kodwao Appiah Turkson, cardeal de Gana, talvez o mais preparado dos papáveis africanos, foi designado arcebispo de Cape Coast em 1992 pelo papa João Paulo II, quem lhe ordenou cardeal em 2003. Turkson é um especialista na Bíblia, já que estudou as Sagradas Escrituras no Instituto Pontifício Bíblico de Roma, onde se formou em 1980 e se tornou doutor nessa mesma matéria em 1992.
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O cardeal americano Sean O'Malley, com muita fama na internet, cumpriu uma importante tarefa há dez anos ao limpar a diocese de Boston, atingida por um escândalo de padres pedófilos. Conhecido por sua simplicidade, de acordo com a pregada por sua ordem - do padre Pierre da França -, este erudito de 68 anos e língua hispânica, de óculos e barba branca, retomou em 2003 a diocese onde eclodiu o primeiro escândalo com impacto internacional sobre abusos sexuais na Igreja Católica.
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