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ONU acusa generais de Mianmar de genocídio

Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz, é acusada de omissão em massacres

27 ago 2018 - 08h23
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Uma missão especial da ONU acusa o comando militar de Mianmar de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade em razão dos ataques contra a população rohingya. Os resultados da primeira investigação da entidade serão publicados hoje. Segundo versão preliminar, obtida pelo Estado, os principais generais do país estão envolvidos, incluindo o comandante-chefe Min Aung Hlaing.

O documento também denuncia a omissão de Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz de 1991, que ocupa a posição de conselheira de Estado, o mais alto cargo civil de Mianmar. Ela é criticada por não agir para conter violações de direitos humanos.

Durante a perseguição à minoria rohingya, Suu Kyi adotou um silêncio que provocou pedidos para que seu Nobel fosse retirado. Em Oslo, os organizadores disseram que não existe uma norma para revogar o prêmio. Mas, pelo mundo, diversos títulos recebidos por ela foram revogados.

A Nobel da Paz Aung San Suu Kyi aperta a mão de Min Aung Hlaing, um dos acusados de genocídio
A Nobel da Paz Aung San Suu Kyi aperta a mão de Min Aung Hlaing, um dos acusados de genocídio
Foto: Soe Zeya Tun/File Photo / Reuters

As investigações da ONU concluíram que as autoridades civis, de fato, tem pouco controle sobre os militares. No entanto, os investigadores apontam que, "por meio de seus atos e de omissões, as autoridades civis contribuíram para as atrocidades".

De acordo com a ONU, Suu Kyi "não usou sua posição para prevenir os eventos". "Pelo contrário. As autoridades civis espalharam falsas narrativas, negaram os crimes dos militares, impediram investigações independentes, inclusive as da ONU, e monitoraram a destruição de provas", diz a denúncia.

A missão da ONU, em seu documento, apela para que a cúpula do regime de Mianmar seja formalmente levada ao Tribunal Penal Internacional (TPI) ou sugere a criação de uma corte especial, assim como ocorreu nos casos de Ruanda e das repúblicas da ex-Iugoslávia. O inquérito sugere que sanções individuais sejam aplicadas contra os responsáveis.

"A necessidade militar nunca deve justificar mortes indiscriminadas, estupros de mulheres, ataques a crianças e queimar cidades inteiras", diz a investigação, que aponta que a estratégia dos militares não é compatível com a ameaça de segurança que eles dizem enfrentar.

Os investigadores também responsabilizam o regime militar pela impunidade e por negar a existência dos crimes. Na lista de crimes contra a humanidade, a ONU aponta assassinatos, tortura, escravidão sexual e perseguição. No Estado de Rakhine também foram encontrados elementos de crimes contra a humanidade, extermínio e deportação.

"Os crimes em Rakhine e a forma com que foram cometidos são similares em natureza, gravidade e dimensão a uma tentativas de genocídio", alerta o documento. A meta seria "alterar a composição demográfica do Estado".

O informe documenta ainda assassinatos em massa, estupros generalizados, a destruição de vilarejos e a tortura de crianças diante de seus pais. Para reforçar as provas, a missão usou imagens de satélite que mostram como cidades com maioria muçulmana foram destruídas, enquanto locais onde predomina a etnia rakhine foram preservados.

Para Lembrar

O TPI é a primeira corte internacional de caráter permanente criada para julgar indivíduos - e não Estados. O tribunal foi estabelecido em 2002, na cidade de Haia, na Holanda, com base em um artigo do Estatuto de Roma, aprovado em 1998. O TPI é uma tentativa de internacionalizar a jurisdição sobre violação de direitos humanos e tem a atribuição de julgar genocídios, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes de agressão.

Ao todo, o tribunal já indiciou 42 pessoas e emitiu mandados de prisão para 34 - há 12 fugitivos. Até agora, 19 processos foram concluídos e cinco indivíduos foram condenados. De acordo com analistas, o ponto fraco do TPI é a baixa adesão de países importantes. Os EUA, constantemente envolvidos em guerras, não firmaram o tratado, isentando seus cidadãos de processos criminais. China, Rússia, Índia e Israel também não aderiram ao TPI.

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