Um ativista usando uma máscara de gás é visto na área de Zamalka, onde ativistas dizem que armas químicas foram utilizadas pelas forças leais ao presidente Bashar Al-Assad nos subúrbios orientais de Damasco. A Rússia afirmou neste domingo que atribuir culpa antecipadamente pelo suposto ataque de armas químicas na Síria seria um "erro trágico". 22/08/2013
Foto: Bassam Khabieh / Reuters
São os novos "turistas" de Damasco: dezenas de famílias de deslocados vivem em hotéis em ruínas, algumas delas há mais de um ano, amontoadas em quartos de 15 m2, onde cozinham no banheiro e compartilham a máquina de lavar com o vizinho.
Desde o início do conflito, há dois anos e meio, o número de sírios deslocados no país chegou a pelo menos 4,25 milhões, que se somam aos mais de dois milhões de refugiados, anunciou nesta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. De acordo com o órgão, trata-se de uma "catástrofe humanitária (...) sem equivalente na História recente".
Em um dos hotéis do bairro popular de Marjé, em Damasco, Hana lembra de sua mansão tradicional de pedra basáltica na cidade antiga de Homs, terceira maior da Síria, devastada pela guerra.
"Tinha um pátio bonito, muitas janelas davam para a rua. Me disseram que ficou totalmente destruída", lamentou essa viúva, na faixa dos 30, cercada dos três filhos, tentando conter as lágrimas.
Em dois anos, ela mudou três vezes de hotel e, há sete meses, vive em um quarto com quatro camas e uma televisão. No canto, uma maleta - a única que conseguiu carregar ao fugir de Homs. "Ficamos todo o dia vendo séries na TV, ou cozinhando", contou.
"Olhem para a minha 'cozinha'", aponta ela, mostrando um pequeno forno oxidado, perto do banheiro. Em outros quartos desse mesmo hotel, a umidade descolou o papel de parede, e os letreiros em neon piscam sem parar.
Nesse hotel, que costumava receber peregrinos iranianos a caminho de Sayyeda Zeinab, lugar sagrado xiita perto de Damasco, deslocados de Homs convivem com os da província de Damasco e ocupam metade dos 40 quartos, segundo funcionários do hotel.
"Às vezes, uso a máquina de lavar dos meus vizinhos, que são deslocados de Harasta", uma cidade perto de Damasco, onde os rebeldes e o Exército se enfrentam, afirma Hana, que perdeu o marido, sequestrado e assassinado no início do conflito.
"Meu marido era taxista em Homs e ganhava bem. Eu não precisava de nada", suspira, enquanto arruma o véu colorido sobre a cabeça.
Até recentemente, ela recebia ajuda de uma "benfeitora", que deixou o país. Agora, Hana está no hotel, sem nada. "Devo três meses ao hotel", confessa.
Seu filho mais velho, de 16 anos, trabalha preparando a brasa para o narguilé em um café das redondezas: "Às vezes, dão uma gorjeta de 500 libras sírias (US$ 2) por dia para ele, e isso nos ajuda a sobreviver".
Muitos desses deslocados internos sofrem, principalmente, com o sentimento de decadência.
"Tinha uma loja de celulares, eu me sentia importante. Hoje, quando vamos pedir ajuda a uma instituição de caridade, nós nos sentimos como mendigos", revela Abu Amer, instalado nesse mesmo hotel há um ano e sete meses.
Abu é de Jaldiyé, um bairro de Homs retomado pelo Exército no final de julho.
"Sabe quem nos ajuda mais? São as igrejas em Bab Touma", na Velha Damasco, conta ele.
O hall e as escadas do hotel se transformaram em um espaço de recreação para as crianças deslocadas, que se divertem escorregando pelo corrimão, ou conversando sentadas no chão.
No restaurante, abandonado, as mesas estão ocupadas por Abu Amer e por seus amigos deslocados de Homs. Diariamente, eles se reúnem para jogar cartas.
A maioria desses hotéis, abandonados pelos turistas (à exceção de alguns empresários árabes), reduziu o valor da diária. E, embora alguns garantam ter acolhido deslocados sem cobrar nada, seus proprietários também têm contas a pagar.
"Pagávamos 25 mil libras sírias por mês (cerca de US$ 125). Hoje, o hotel está cobrando 30 mil libras, porque o preço do combustível aumenta", explica Abu Amer.
Boa parte desses deslocados na capital prefere esta vida à de um refugiado - apesar de tudo. "Pelo menos, estamos no nosso país", diz Hana.
Menino vítima de ataque com armas químicas recebe oxigênio
Foto: Reuters
Menina é atendida em hospital improvisado após o ataque
Foto: AP
Homens recebem socorro após o ataque com arma químicas, relatado pela oposição e ativistas
Foto: AP
Mulher que, segundo a oposição, foi morta em ataque com gases tóxicos
Foto: AFP
Homens e bebês, lado a lado, entre as vítimas do massacre
Foto: AFP
Corpos são enfileirados no subúrbio de Damasco
Foto: AFP
Muitas crianças estão entre as vítimas, de acordo com imagens divulgadas pela oposição ao regime de Assad
Foto: AP
Corpos das vítimas, reunidos após o ataque químico
Foto: AP
Imagens divulgadas pela oposição mostram corpos de vítimas, muitas delas crianças, espalhados pelo chão
Foto: AFP
Meninas que sobreviveram ao ataque com gás tóxico recebem atendimento em uma mesquita
Foto: Reuters
Ainda em desespero, crianças que escaparam da morte são atendidas em mesquita no bairro de Duma
Foto: Reuters
Menino chora após o ataque que, segundo a oposição, deixou centenas de mortos em Damasco
Foto: Reuters
Após o ataque com armas químicas, homem corre com criança nos braços
Foto: Reuters
Criança recebe atendimento em um hospital improvisado
Foto: Reuters
Foto do Comitê Local de Arbeen, órgão da oposição síria, mostra homem e mulher chorando sobre corpos de vítimas do suposto ataque químico das forças de segurança do presidente Bashar al-Assad
Foto: Local Committee of Arbeen / AP
Nesta fotografia do Comitê Local de Arbeen, cidadãos sírios tentam identificar os mortos do suposto ataque químico das forças de segurança do presidente Bashar al-Assad
Foto: Local Committee of Arbeen / AP
Homens esperam por atendimento após o suposto ataque químico das forças de segurança da Síria na cidade de Douma, na periferia de Damasco; a fotografia é do escrtitório de comunicação de Douma
Foto: Media Office Of Douma City / AP
"Eu estou viva", grita uma menina síria em um local não identificado na periferia de Damasco; a imagem foi retirada de um vídeo da oposição síria que documenta aquilo que está sendo denunciado pelos rebeldes como um ataque químico das forças de segurança da Síria assadista
Foto: YOUTUBE / ARBEEN UNIFIED PRESS OFFICE / AFP
Nesta imagem da Shaam News Network, órgão de comunicação da oposição síria, uma pessoa não identificada mostra os olhos de uma criança morta após o suposto ataque químico de tropas leais ao Exército sírio em um necrotério improvisado na periferia de Damasco; a fotografia, de baixa qualidade, mostra o que seria a pupila dilatada da vítima
Foto: HO / SHAAM NEWS NETWORK / AFP
Rebeldes sírios enterram vítimas do suposto ataque com armas químicas contra os oposicionistas na periferia de Damasco; a fotografia e sua informação é do Comitê Local de Arbeen, um órgão opositor, e não pode ser confirmada de modo independente neste novo episódio da guerra civil síria
Foto: YOUTUBE / LOCAL COMMITTEE OF ARBEEN / AFP
Agências internacionais registraram que a região ficou vazia no decorrer da quarta-feira
Foto: Reuters
Mais de mil pessoas podem ter morrido no ataque químico, segundo opositores do regime de Bashar al-Assad
Foto: Reuters
Cão morto é visto em meio a prédios de Ain Tarma
Foto: Reuters
Homens usam máscara para se proteger de possíveis gases químicos ao se aventurarem por rua da área de Ain Tarma
Foto: Reuters
Imagem mostra a área de Ain Tarma, no subúrbio de Damasco, deserta após o ataque químico que deixou centenas de mortos na quarta-feira. Opositores do governo sírio denunciaram que forças realizaram um ataque químico que matou homens, mulheres e crianças enquanto dormiam
Foto: Reuters
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