Planos orçamentários de Trump empurram advogados do governo dos EUA para setor privado
Os advogados de base do governo federal dos Estados Unidos temem grandes cortes orçamentários quando o presidente eleito Donald Trump assumir o cargo e estão procurando empregos no setor privado em um número excepcionalmente alto, disseram cinco recrutadores jurídicos à Reuters.
Cada novo governo provoca um êxodo de nomeados políticos e outros funcionários jurídicos de alto escalão, mas os recrutadores disseram que este ano também estão ouvindo falar de um número muito maior de advogados de nível inferior e de carreira do governo.
"Parece absolutamente diferente da transição para o primeiro governo Trump", disse Rachel Nonaka, ex-advogada da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, que se tornou recrutadora em Washington.
Outro recrutador de Washington, Dan Binstock, disse que os advogados do governo procuraram sua empresa Garrison cinco vezes mais do que a taxa normal pós-eleitoral, e muito mais deles são funcionários públicos de carreira.
"O nível de incerteza não é nada parecido com o que já vimos", disse Binstock, que é recrutador há 20 anos.
Mais de 44.000 advogados licenciados trabalham no governo federal, de acordo com dados de março do U.S. Office of Personnel Management. Cerca de um terço desses advogados trabalha no Departamento de Justiça, e menos de 400 deles são nomeados políticos sem carreira.
O Departamento de Educação, que Trump afirmou que tentaria abolir, emprega quase 600 advogados. O número de advogados em todas as agências em nível de gabinete cresceu cerca de 2.500 durante os governos de Trump e Biden.
Neste mês, Trump criou um novo Departamento de Eficiência Governamental não oficial, liderado pelo bilionário Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, e pelo ex-executivo de biotecnologia Vivek Ramaswamy, que argumentou na semana passada que as ações executivas para eliminar as regulamentações poderiam abrir caminho para reduções em massa na força de trabalho federal.
"O governo Trump terá um lugar para as pessoas que trabalham no governo e que estão comprometidas com a defesa dos direitos do povo americano, colocando os Estados Unidos em primeiro lugar e garantindo o melhor uso dos dólares dos impostos dos trabalhadores", disse o porta-voz da transição, Brian Hughes, em um comunicado.
Trump acusou advogados do governo de frustrar sua agenda do primeiro mandato e enfrentou duas acusações criminais federais pelo que ele descreveu como um Departamento de Justiça politizado sob o governo do atual presidente, o democrata Joe Biden. Sua indicada para procuradora-geral, Pam Bondi, pediu uma investigação sobre como esses casos foram processados.
"Os promotores serão processados. Os ruins. Os investigadores serão investigados", disse Bondi à Fox News no ano passado.
Em junho, o procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, rejeitou as acusações dos republicanos da Câmara dos Deputados de que ele havia politizado o sistema de justiça criminal e os acusou de divulgar teorias de conspiração que poderiam colocar em risco os agentes federais.