Senador republicano culpa a política de vacinação de Trump por mortes por sarampo nos EUA
O senador republicano Bill Cassidy culpou as políticas antivacina do governo Trump pelas recentes mortes por sarampo na Pensilvânia, em meio ao pior surto da doença nos EUA em 35 anos. Durante sabatina para preencher cargos vagos na saúde, o parlamentar cobrou decisões baseadas na ciência e pressionou a indicada a cirurgiã-geral, Nicole Saphier, que acabou rejeitando o elo entre vacinas e autismo — tese propagada por Trump e pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr.
O presidente republicano do Comitê de Saúde do Senado dos EUA culpou, nesta quarta-feira, a abordagem do governo Trump em relação às vacinas pelas recentes mortes por sarampo na Pensilvânia e pressionou a indicada pelo presidente para o cargo de cirurgião-geral a afirmar claramente que as vacinas não causam autismo.
O senador Bill Cassidy, médico da Louisiana que preside o comitê, proferiu a declaração inicial crítica enquanto o país enfrenta o pior surto de sarampo em mais de 35 anos. Ele afirmou que três pessoas na Pensilvânia morreram de sarampo, com um quarto caso de morte sob investigação, devido à desinformação e a políticas equivocadas.
"Sofrer com qualquer doença é terrível, mas sofrer com uma que é evitável, isso é ainda pior", disse Cassidy.
A comissão está avaliando a candidatura de Chris Klomp para o cargo de secretário-adjunto de Saúde e Serviços Humanos, da dra. Nicole Saphier para o cargo de cirurgiã-geral e do dr. Timothy Westlake para liderar a Administração de Serviços de Abuso de Substâncias e Saúde Mental. Cassidy disse que o país precisa de líderes na área da saúde "que tomem decisões com base na ciência, não na política ou na ideologia".
SAPHIER SOB PRESSÃO SOBRE A RELAÇÃO ENTRE VACINAS E AUTISMO
Cassidy dirigiu sua advertência mais contundente a Saphier, pressionando-a repetidamente para que afirmasse que a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola não causa autismo. Saphier inicialmente se esquivou, dizendo que "não havia visto evidências confiáveis" de que as vacinas causassem autismo.
"Isso é um pouco ambíguo", disse Cassidy, alertando que outras pessoas já haviam usado essa "margem de manobra" para, posteriormente, agir contra as evidências científicas.
Saphier acabou afirmando que não acreditava que a vacina tríplice viral fosse letal, chamando-a de "nossa maior ferramenta para combater o sarampo", e disse: "Não acredito que as vacinas infantis causem autismo".
O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., há muito tempo defende uma suposta relação entre vacinas e autismo — já desmentida pela ciência —, contrária às evidências científicas, e Trump também abraçou essa ideia.
Cassidy também pressionou Saphier sobre a vacina contra a hepatite B, há muito recomendada logo após o nascimento, que Kennedy quer suspender. Saphier chamou a vacinação universal logo após o nascimento de "comprovada e eficaz", mas não chegou a afirmar que ela deveria ser recomendada, acrescentando que estava "aberta a discussões futuras".
Cassidy afirmou que as vacinas são "extremamente seguras e eficazes, e não causam autismo". Ele também criticou um decreto que fragmenta o calendário de vacinação infantil, alegando que isso exige mais doses e torna as crianças menos seguras.
SENADOR REPUBLICANO TORNA-SE MAIS CRÍTICO
Cassidy tem se tornado mais abertamente crítico em relação aos esforços de Kennedy para reformular a política de vacinação dos EUA, apesar de ter dado o voto decisivo que confirmou o secretário de Saúde no cargo, com pleno conhecimento do histórico de ativismo público antivacina de Kennedy.
Cassidy não concorre à reeleição após perder as primárias republicanas em maio. Trump atacou Cassidy e apoiou um rival devido ao voto do senador em 2021 a favor da condenação no segundo julgamento de impeachment de Trump, o que tornou politicamente mais fácil para Cassidy assumir uma postura desafiadora.
"O CDC aparentemente está trabalhando em uma definição de morte por sarampo. Alguém disse que não precisávamos trabalhar nisso há décadas porque ninguém morria de sarampo, e agora temos pessoas morrendo de sarampo. Isso vai ser um legado terrível para este governo", disse Cassidy.
Tanto Saphier quanto Westlake disseram à senadora democrata Maggie Hassan, de New Hampshire, que seguiriam a lei em vez das ordens de Trump caso houvesse conflito entre as duas. Hassan fez a mesma pergunta a Klomp durante uma audiência na terça-feira.
ÓRGÃOS DE SAÚDE ENFRENTAM VÁCUO DE LIDERANÇA
Saphier, radiologista e ex-colaboradora da Fox News, é a terceira escolha de Trump para o cargo de cirurgião-geral, depois que a influenciadora de bem-estar Casey Means teve sua indicação paralisada no Senado e Trump retirou a indicação da dra. Janette Nesheiwat devido a questionamentos sobre suas credenciais. Os EUA não têm cirurgião-geral desde janeiro de 2025.
Klomp, ex-executivo do setor de tecnologia da saúde, tem comandado grande parte das atividades cotidianas do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, passando de diretor do Medicare a conselheiro-chefe de Kennedy na agência. A Comissão de Finanças realizou sua audiência formal de indicação na terça-feira. A sessão desta quarta-feira é uma audiência de cortesia.
A audiência aborda o acúmulo de vagas não preenchidas na área da saúde em todo o governo. O Senado confirmou a dra. Erica Schwartz para liderar o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em 5 de agosto, enquanto a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) está sem um líder permanente desde maio.
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