O que é a febre maculosa?
Transmitida por carrapato infectado, doença causou mais de 700 mortes no Brasil nos últimos dez anos. Diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e óbito.O surto de febre maculosa em uma fazenda na região de Campinas provocou sua quarta morte, confirmada na quinta-feira (15/06) pela Secretaria de Saúde de Campinas. A vítima é uma adolescente de 16 anos que, como as outras três pessoas, havia participado de um evento na Fazenda Santa Margarida no dia 27 de maio.
Entre 2012 e 2022, a febre maculosa causou 753 mortes no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Neste período, foram registrados 2.157 casos. O estado de São Paulo registra a maioria dos casos (796) e óbitos (467) desses dez anos. Em número de mortes pela doença, Minas Gerais fica em segundo lugar (109), seguido pelo Rio de Janeiro (60) e Espírito Santo (37).
Ainda de acordo com os dados, nenhum óbito por febre maculosa foi registrado na região Norte entre 2012 e 2022. A doença foi confirmada em todas as regiões do país, mas os estados do Amazonas, Amapá, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe não tiveram nenhum caso confirmado nesse período.
Como ocorre a transmissão?
A febre maculosa é uma doença causada pela bactéria Rickettsia rickettsii ou Rickettsia parkeri e transmitida pelo carrapato-estrela (Amblyomma cajennense). Essa espécie de carrapato pode ser encontrada em animais de grande porte, como bois e cavalos, mas também em cães, aves domésticas, gambás, coelhos e, principalmente, capivaras.
Para haver a transmissão, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele do hospedeiro. A doença não é transmitida diretamente entre humanos. Após a picada, as bactérias se multiplicam nas células próximas e entram na corrente sanguínea.
O período de incubação varia de dois a 14 dias, sendo que os primeiros sintomas aparecem em média sete dias depois da picada.
Quais são os sintomas e tratamento?
A febre maculosa aparece de forma repentina e tem sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, falta de apetite, desânimo, náuseas, vômito, diarreia e manchas na pele. As lesões na pele se parecem com picadas de pulga e aparecem em todo o corpo, inclusive na palma da mão e planta dos pés.
A infecção atinge vários órgãos e pode causar diminuição da produção de urina e do volume de sangue circulante; acúmulo de substâncias prejudiciais no sangue; anemia; pressão alta; e redução dos níveis de sódio e cloro no corpo.
A demora para o início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins, dos pulmões e lesões vasculares. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar o agravamento da doença e o óbito.
O tratamento deve ser iniciado dentro de no máximo cinco dias após o aparecimento dos primeiros sintomas. A febre maculosa é tratada com antibióticos, como a doxiciclina. O ideal é que a medicação comece a ser introduzida nos primeiros dois ou três dias após os sintomas. A medicação deve ser mantida por dez ou 14 dias.
Como se prevenir?
A melhor maneira de se prevenir é evitar o contato com o carrapato. Para isso, ao entrar em áreas de mata, recomenda-se o uso de calça, camisas de manga comprida e sapato fechado, de preferência bota. Sempre que possível, evitar caminhar por áreas infestadas. Também é recomendado o uso de repelentes com o composto químico DEET.
Se levar o cão de estimação para passear em áreas rurais, ao voltar para a casa verificar se o animal está livre de carrapatos.
Após passeios, verificar se há algum carrapato preso ao corpo. Se sim, use uma pinça para agarrá-lo e remova-o cuidadosamente. Não o esmague com as unhas, pois pode haver liberação das bactérias que têm capacidade de penetrar em pequenas lesões na pele.
Trate o carrapato como se estivesse contaminado: mergulhe-o em álcool ou jogue no vaso sanitário. Limpe a área da picada com antisséptico e lave bem as mãos.
A febre maculosa é mais comum entre os meses de junho e novembro. O diagnóstico é confirmado com exame de sangue.
cn/ek (ots)