Duster e uma polêmica: deve ou não ganhar motor turbo?
Análise: Renault ainda não confirmou se o Duster terá o motor 1.3 turbo que vai equipar o novo Captur. Será que ele precisa?
Já revelamos nosso apreço pelo Renault Duster em duas ocasiões: há um ano, quando o carro foi modificado e fizemos um test-drive na região de Foz do Iguaçu (PR); em junho, quando o avaliamos nas ruas e estradas de São Paulo. O Duster melhorou muito -- e profundamente --, tanto que muitos especialistas consideram legítimo dizer que é uma nova geração. Afinal, até o ângulo do parabrisa foi modificado.
Mas, como a Renault nunca disse isso, oficialmente não é uma nova geração. Agora, a questão que se impõe ao SUV compacto da Renault é se ele deve ou não ganhar o novo motor 1.3 turbo que está prometido somente para o novo Captur. Esse motor é fabricado na França e, com a tecnologia flex, terá 170 cavalos de potência máxima. Ele foi desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz, que o usa no GLB 200, porém com 163 cv, a gasolina.
A Renault havia decidido dar um upgrade somente no Captur. Mas, devido à pandemia de coronavírus, a empresa teve grande redução nas vendas. Agora, recentemente, a Renault do Brasil anunciou investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2022 para lançar cinco novidades. O Duster 1.3 turbo estará entre essas novidades? Ainda não sabemos. Mas deveria.
O Duster é importante para os planos de Renault no Brasil. Ele é um carro robusto, espaçoso e que já chegou a liderar o mercado de SUVs. Na verdade, foi o único carro que conseguiu interromper a hegemonia de dez anos do Ford EcoSport, derrotando-o em seu ano de lançamento. Se a Renault melhorou sua imagem perante o público brasileiro, muito desse mérito é do Duster.
Atualmente o Renault Duster é vendido em três versões: Zen, Intense e Iconic. Todas são equipadas com motor 1.6 flex de 120 cavalos. A versão de entrada está disponível com câmbio manual de cinco marchas ou com câmbio automático CVT de 6 marchas. As demais são apenas CVT. Os preços vão de R$ 85.090 a R$ 102.890. No atual momento de preços elevadíssimos, eles são competitivos.
Nesta última semana aceleramos o Duster na estrada e exigimos bastante do carro na questão do desempenho. Ele não é ruim. Roda a 120 km/h ou mais e desenvolve boa velocidade quando já está “embalado”. Ele sofre um pouco nas acelerações e nas retomadas de velocidade em subida. Mas nada que tire sua dignidade. O problema maior é o consumo.
Para andar rápido, o Duster consome bastante. Segundo o Inmetro, na estrada ele faz 7,8 km/l com etanol e 11,1 com gasolina. Mas, com o motor girando a 4.500 ou 5.000, o computador de bordo denuncia um consumo instantâneo bastante elevado, na casa de 5 km/l de etanol na estrada.
Na cidade, o consumo do Duster é mais amigável: 7,2 km/l com etanol e 10,7 km/l com gasolina. Claro que o Duster atual não tem condições de voltar a ser um campeão de vendas, pois o mercado ficou muito competitivo e vários SUVs da categoria têm muitos atributos. Mas o Duster ainda pode ocupar um espaço importante na faixa de entrada dos SUVs compactos e, com um motor 1.3 turbo, brigar por alguns nichos superiores.
O problema de conforto que havia antes foi bem resolvido há um ano. Painel, volante, bancos e central multimídia são novos. A nova central multimídia é a Easy Link, diferente da Media Nav usada nos demais carros da Renault. A tela tátil agora é de 8” e ficou posicionada mais acima do painel, o que melhorou sua observação durante a condução. Porém, dependendo do horário, com sol, a visão da tela é muito prejudicada.
Até na rigidez torcional da carroceria a Renault mexeu, aumentando-a em 12,5%. As suspensões foram recalibradas, tornando o rodar mais confortável, e a assistência da direção agora é elétrica. O esforço para manobras diminuiu bastante. O console central também foi completamente modificado, com novas saídas de ar. O novo Duster oferece 1,5 litro a mais de espaço para porta-objetos do que o modelo anterior, atingindo 20,3 litros no total. A praticidade a bordo é um dos pontos fortes do carro.
Se uma das cinco novidades da Renault até 2022 for o Duster, melhor para a Renault. Se não for, terá que repensar e trazer o motor 1.3 turbo a partir de 2023. De uma forma ou de outra, o Duster seguirá sendo importante para a marca no mercado brasileiro. Vale a pena cuidar bem dele.