Simbologia marca ícones indianos
A Índia é um país cheio de tradições, lendas e símbolos. Alguns são muito marcantes e atravessam oceanos para transmitir os ensinamentos e crenças passados de geração para geração na cultura indiana. Por isso, as imagens vindas da Índia são muito mais do que apenas esteticamente bonitas para compor a decoração de casa. Todas elas têm significados. Na relação abaixo, a gerente Milene Santos de Souza, da Katmandu, loja especializada em produtos indianos, explica alguns dos principais ícones.
Shiva
Na tradição hindu, Shiva é o destruidor. Mas ele destrói para construir algo novo, por isso é mais apropriado chamá-lo de "renovador" ou "transformador". A criação da ioga é atribuída a ele, já que se trata de uma prática que produz transformação física, mental e emocional. A serpente em volta da cintura e do pescoço simboliza a imortalidade de Shiva, que dominou a morte. Na tradição da ioga, ele também representa Kundaliní, a energia de fogo que reside adormecida na base da coluna. Quando despertamos essa energia, ela sobe pela coluna, ativa os centros de energia (chakras) e produz a iluminação (samadhi), um estado de consciência expandida. No topo da cabeça de Shiva se vê um jarro d'água, que representa o rio Ganges ou Ganga, "que nasce dos cabelos de Shiva".
Shiva Nataraja
Nesta representação, Shiva aparece como o rei (raja) dos dançarinos (nata). Ele dança dentro de um círculo de fogo, símbolo da renovação, e, por meio de sua dança, Nataraja cria, conserva e destrói o universo. Ele representa o eterno movimento do universo impulsionado pelo ritmo do tambor e da dança. Em uma das mãos, ele segura o damaru, tambor em forma de ampulheta com o qual marca a passagem do tempo. Na outra, traz uma chama, símbolo da transformação e da destruição de tudo que é ilusório. As outras duas mãos fazem gestos específicos. Na direita, a palma está à mostra, o que significa proteção e bênção (abhaya mudrá). A esquerda representa a tromba de Ganesha, que destrói os obstáculos. Nataraja pisa com seu pé direito sobre as costas de um anão, o demônio da ignorância interior, a ignorância que dificulta a capacidade de encontrar o verdadeiro eu.
Buda
O título Buda significa "aquele que sabe a verdade" ou "aquele que despertou" e se aplica a quem atingiu um nível superior de entendimento. Houve vários budas, mas o primeiro foi Sidarta Gautama ou Shakyamuni, que viveu por volta do século 6 a.C., ao norte da Índia, e fundou o Budismo. Filho de reis, o príncipe Sidarta (aquele que realiza todos os desejos) abandonou seu palácio e título aos 29 anos para iniciar sua busca para atingir a iluminação e desvendar as razões do sofrimento humano. Viveu de forma simples, meditando até atingir um estado em que o medo do sofrimento ou da morte já não o afetava. Passou a peregrinar e a ensinar aos seus seguidores as Quatro Nobres Verdades, que descrevem o sofrimento da espécie humana, suas causas e a solução.
Ganesha
No Hinduísmo, é o deus elefante, filho de Shiva e Parvati. Também é conhecido como deus dos comerciantes, da prosperidade, da política e da sagacidade. Em uma das mãos, carrega um machado, para cortar todo mal. Na outra, um laço, para puxar os devotos para perto dele, um símbolo do apego. Na peregrinação espiritual, todos os obstáculos são criados por nós mesmos: o apego ao mundo dos objetos, emoções e pensamentos. Ganesha elimina esses apegos e mantém, com sua corda, as atenções das pessoas voltadas para o objeto superior. Segundo a tradição religiosa, aquele que reza para Ganesha nunca encontra obstáculos que não possa ultrapassar.
Lakshmi
Deusa da fortuna, fonte de beleza e saúde. Esposa de Vishnu - sustentador do universo - é o principal símbolo da potência feminina e pode ser reconhecida por sua eterna juventude. Sua simbologia está ligada a flores de lótus e um cântaro que jorra moedas de ouro. Diz a lenda que ela surgiu de uma colossal tarefa cósmica entre os principais líderes do bem e do mal. Quando Lakshmi apareceu, as grandes personalidades presentes perderam a compostura, devido à sua forte magnitude, e ofereceram tudo o que tinham de melhor para tentar conquistá-la. Tudo em vão, já que Lakshmi examinou minuciosamente cada um deles e não encontrou um que fosse naturalmente desprovido de imperfeições. Ela preferiu Vishnu para seu marido, que está além da matéria e, portanto, livre de defeitos.