Todo ano é assim. Na medida em que a temperatura cai e se aproxima o inverno, em grande parte do território brasileiro, entram em cena as gripes e os resfriados. E essas doenças não vêm sozinhas. Ao primeiro ventinho frio, surgem conselhos - “leva um casaquinho!”, “não vai sair no frio de cabelo molhado, menina!”, “toma um suco de laranja, vitamina C é um santo remédio!”, “se não tratar essa gripe vai acabar virando pneumonia!”.
A gripe é um resfriado forte, e o resfriado é uma gripe fraca: Não, são manifestações clínicas diferentes de infecções causadas por vírus respiratórios distintos. A gripe é caracterizada pela presença de febre com temperatura superior a 38°C e tosse, associadas ou não à dor de garganta, mal-estar e dores musculares. Já o resfriado tem sintomas mais localizados - coriza, obstrução nasal, espirros, dor de garganta, rouquidão e tosse, podendo evoluir com quadro subfebril (temperatura axilar abaixo de 37,8°C). A gripe costuma causar mais desconforto. No entanto, para pessoas com imunidade baixa, até mesmo simples resfriados podem ser problemas graves
Foto: Shutterstock
Repetidos por gerações e, possivelmente, tão antigos quanto a própria gripe, alguns destes conselhos não passam de crendices populares, enquanto outros têm embasamento científico. O Terra consultou o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Fernando Gatti de Menezes, e o pneumologista e professor da Universidade Federal de São Paulo, Ciro Kirchenchtejn, para explicar o que é mito e o que é verdade sobre gripes e resfriados. Confira:
A gripe é um resfriado forte, e o resfriado é uma gripe fraca: Não, são manifestações clínicas diferentes de infecções causadas por vírus respiratórios distintos. A gripe é caracterizada pela presença de febre com temperatura superior a 38°C e tosse, associadas ou não à dor de garganta, mal-estar e dores musculares. Já o resfriado tem sintomas mais localizados - coriza, obstrução nasal, espirros, dor de garganta, rouquidão e tosse, podendo evoluir com quadro subfebril (temperatura axilar abaixo de 37,8°C). A gripe costuma causar mais desconforto. No entanto, para pessoas com imunidade baixa, até mesmo simples resfriados podem ser problemas graves
Foto: Shutterstock
Ficar perto de alguém gripado pode fazer com que fique doente: Sim. O vírus da Influenza é transmitido principalmente através de gotículas que se propagam no ambiente. Se o paciente gripado não cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir com lenços de papéis descartáveis e desprezá-los no lixo, nem realizar higiene das mãos após fazer isso, existe uma chance de disseminação do vírus no ambiente e inalação destes por pessoas próximas, inclusive bebês
Foto: Shutterstock
Vitamina C previne a gripe: Vitamina C ou ácido ascórbico não previne a gripe. Segundo o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, esta é uma crença antiga, mas não há comprovação científica. O infectologista Fernando Gatti de Menezes cita como métodos de prevenção realmente eficazes a vacinação anual, a higiene das mãos, evitar aglomerações em épocas de maior circulação dos vírus respiratórios e, em algumas situações, medicamentos como o oseltamivir e zanamivir
Foto: Shutterstock
Pegar frio, sair na rua de cabelo molhado ou tomar sorvete no inverno provoca gripe: Não. A transmissão da gripe ou influenza ocorre pela inalação de gotículas no ambiente, eliminadas por alguém infectado. O mesmo serve para resfriado, igualmente transmitido por vírus
Foto: Shutterstock
A vacina é 100% eficaz para prevenir a gripe: Segundo o infectologista Fernando Gatti de Menezes, a eficácia da vacina para gripe ou influenza depende do grupo etário e das condições de imunidade ou comorbidades da população. De uma forma geral, a eficácia varia entre 70% a 90% na população com faixa etária inferior a 65 anos
Foto: Getty Images
Quando se toma vacina todo ano sua eficácia diminui: Não. A vacina para gripe deve ser tomada anualmente, pois o vírus se modifica ao longo do tempo e, a cada ano, são confeccionadas vacinas para a proteção dos tipos de vírus com maior importância epidemiológica naquele momento. A imunização do ano anterior se mantém, mas não tem muita utilidade no próximo ano, visto que os vírus não são mais os mesmos
Foto: Shutterstock
Remédios antigripais curam gripe: A cura da gripe depende da nossa resposta imunológica. Além disso, a definição de antigripais é variada. Há os medicamentos que tratam apenas dos sintomas, aliviando o desconforto causado por eles, sem combater a doença. Há ainda uma classe de medicamentos conhecidos como inibidores de neuraminidase, como por exemplo: oseltamivir e zanamivir. Estes têm ação sobre a replicação viral e favorecem a atividade do sistema imunológico no combate à gripe
Foto: Shutterstock
Beber bastante água ajuda a combater a gripe: Sim. A hidratação é fundamental para o tratamento da gripe, pois a febre e os sintomas inflamatórios de vias aéreas (coriza, tosse com expectoração etc) podem levar a desidratação, considerada uma complicação. De acordo com o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, as principais recomendações são que os pacientes se mantenham bem hidratados e façam repouso
Foto: Shutterstock
Antibióticos são os remédios indicados para curar gripes fortes: Se considerarmos os antibióticos como medicamentos para tratamento de infecções bacterianas, não há sentido o seu uso frente a uma infecção viral, explica o infectologista Fernando Gatti de Menezes. Entretanto, é frequente a manifestação de infecções bacterianas como complicação de infecções virais, como otites, amigdalites, sinusites, laringites, bronquites e pneumonias. Por isso, é importante evitar a automedicação e procurar assistência médica para uma avaliação correta
Foto: Shutterstock
Pneumonia é uma gripe mal curada: A pneumonia é uma manifestação clínica que acomete os pulmões. Sua origem pode ser viral, bacteriana ou fúngica. Geralmente, corresponde a uma complicação bacteriana após infecção viral. Nestes casos, a gripe pode facilitar a complicação que ocasiona a pneumonia
Foto: Shutterstock
Chá de mel, limão e alho ajuda a combater a gripe: Não há evidência de que chá de mel e limão ou alho tenha ação antiviral. Alguns indivíduos relatam melhora dos sintomas após o uso de chás, alho, vitamina C, entretanto, não há evidência experimental sobre a ação no vírus da gripe, afirma o infectologista Fernando Gatti de Menezes. O efeito se dá devido ao fato de estas substâncias manterem o paciente hidratado e aquecido
Foto: Shutterstock
Mudança de temperatura causa gripe ou resfriado: De acordo com o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, está cientificamente comprovado que não há ligação direta entre a mudança de temperatura e gripes e resfriados. O que acontece é que, quando esfria, as pessoas tendem a ficar mais em ambientes fechados, e aumentam as aglomerações, o que facilita a transmissão de doenças
Foto: Shutterstock
Ficar em ambientes fechados, como ônibus e salas de aula, aumenta o risco de contrair gripe: Sim. De acordo com o infectologista Fernando Gatti de Menezes, ambientes fechados sem ventilação adequada propiciam a disseminação de vírus respiratórios, incluindo o influenza, causador da gripe. Isso acontece porque as gotículas eliminadas por pacientes permanecem suspensas na atmosfera por mais tempo, favorecendo o contato com as mucosas respiratórias. O infectologista acrescenta ainda que não apenas a atmosfera, mas também os apoios dos ônibus e metrôs podem ser um veículo para a transmissão durante o contato de vírus respiratórios
Foto: Shutterstock
O vírus da gripe se propaga através do ar: Sim, o vírus da gripe se propaga através do ar sob a forma de gotículas expelidas por pessoas gripadas ao espirrar, tossir ou falar. No entanto, o contato com pessoas ou objetos contaminados é uma forma comum de contágio. Neste sentido, o infectologista Fernando Gatti de Menezes aponta o cuidado em cobrir a boca com as mãos ao tossir e a higiene das mãos ao tocar nas superfícies como formas de prevenção, associadas à imunização anual no caso do vírus influenza
Foto: Shutterstock
A vacina da gripe pode causar os mesmos sintomas da doença: Algumas pessoas que recebem a vacina, no dia seguinte, acreditam estar gripadas. No entanto, mesmo que isso seja verdade, a doença não é decorrente da vacina. Segundo o pneumologista, a vacina é feita com fragmentos da proteína do vírus, e não o próprio vírus, não havendo assim a possibilidade de provocar a doença. Os sintomas sentidos após a vacinação podem ser decorrentes de alergias
Foto: Shutterstock
Compartilhar
Publicidade
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra