Quem cuida de quem cuida? Mãe, peça ajuda, rede de apoio é essencial
Pedir ajuda e ter com quem contar é importante para que pais e mães não se sintam sobrecarregados
A psicóloga Gabriela Menezes é mãe de Nicholas, de 6 anos. O marido é a única rede de apoio no dia a dia para que ela possa ter momentos individuais, sem o filho. Ela sente falta, mas a falta é amenizada pela parceria do marido, que a incentiva a ter momentos sozinha.
A rede de apoio é bastante importante para a maternidade, segundo a psicóloga e especialista em terapia de família Suellen Souza. Ela conta ao Terra que, dificilmente, uma mãe consegue manter sua saúde mental, emocional e física intacta sem que, ao seu redor, haja pessoas realmente interessadas em ajudá-la.
Para ter qualidade de vida na maternidade não há problema algum em pedir ajuda. Gabriela não tem a quem recorrer, e além do marido, só consegue ter esse apoio quando a mãe ou a sogra, que moram fora de São Paulo, estão por perto.
“Tenho uma amiga de longa data que acionei apenas uma vez nesses seis anos. O que costumo fazer é, como os horários do meu marido são diferentes dos meus, tento adequar quando preciso fazer coisas por mim. Ele é superparceiro, então sempre incentiva esses momentos”.
Suellen reitera que, quando a mãe não tem o apoio do pai da criança, a sobrecarga duplica. “É possível que ela até consiga lidar sozinha com os cuidados do seu bebê, mas isso facilmente acarretará danos a sua saúde física e psíquica”, diz.
Como pedir ajuda?
Segundo a especialista, muitas mães têm vergonha de pedir ajuda. Mas é um pedido necessário.
“As mães precisam deixar claro o que precisam. Nem sempre as pessoas sabem o que cada um espera delas, principalmente em um período após o nascimento de uma criança, em que tudo se modifica. Precisar de ajuda não é nenhum demérito. Ela é fundamental e necessária, desde que não seja invasiva, como alguém que dita o que a mãe deve fazer, e seja sem julgamentos. Peça ajuda. O óbvio para você não é óbvio para o outro.”
Sem culpa!
A psicóloga diz que, em um cenário sem rede de apoio, é necessário apelar à ajuda de babás ou creches, se houver condições financeiras, e não há motivo algum para sentir culpa. “Mães precisam abrir mão da perfeição. Ora, ela se dedicará ao trabalho, ora ao bebê, e também precisa se dedicar a si. Não existe jeito certo”.
Como ajudar uma mãe?
Suellen diz que não existe fórmula, porque cada mãe e pai têm uma demanda particular. Mas se colocar à disposição é a melhor forma.
“Pense que o mais importante nessa relação é ouvir a outra parte e estar à disposição para o que for preciso. As pessoas devem aceitar que cada família pode demandar diferentes tipos de suporte. O caminho, portanto, é respeitar as particularidades sem julgamentos. Oferecer ajuda, ouvir as dores e evitar palpites, já é um ótimo caminho.”