vc repórter: Guatemala é cenário de beleza, pobreza e Maias
Quem vai à Guatemala para visitar parques arqueológicos maias e algum dos 33 vulcões do país, descobre também que a história de sua população indígena se confunde hoje com um contexto de violência, pobreza e aculturação. Tudo isso em meio a uma das paisagens naturais mais exuberantes do continente.
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A capital, Ciudad de Guatemala, é rota de passagem a Antiqua, o antigo centro político do país. Ali, pode se ver um belo conjunto de igrejas, conventos e casas coloniais originais, declarado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO. A cidade também abriga o parque arqueológico de Tikal, um dos centros da civilização maia. Antiqua alcançou seu esplendor entre os séculos VIII e IX.
Nos cerca de 30 km que dividem os dois municípios, impressiona a enorme quantidade de lanchonetes fast food: Mc Donald´s, Burger King, Subway, Wendy´s são mais freqüentes que no Brasil. O país é tomado por empresas norte-americanas, não apenas no ramo da alimentação. Muitas indústrias têxteis aproveitam os incentivos fiscais e a mão-de-obra barata para se instalar no local.
A Guatemala possui inúmeros prédios históricos bem preservados e a grande maioria dos turistas é composta por norte-americanos, europeus e israelenses. Isso faz com que os preços de hospedagem e alimentação sejam salgados. O melhor local para provar a comida típica do país é a rua. Na zona turística, a maioria dos restaurantes é de culinária internacional.
Blusas bordadas e comércio de galinhas
Grande parte da população sobrevive produzindo artesanato. No tradicional mercado indígena de Chichicaztenango, que acontece às quintas e domingos, as trocas em dólares feitas por turistas contrastam com as negociações indígenas, que incluem galinhas vivas como pagamento. Uma das compras favoritas do público feminino são belas blusas bordadas e coloridas, que custam R$ 100 reais, em média.
De acordo com dados do Programa de das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 56% dos guatemaltecas vive abaixo da linha de pobreza e outros 18% abaixo da linha de extrema pobreza. Estes índices são ainda mais altos nas áreas rurais, compostas basicamente pela população indígena: 60% dos guatemaltecos são de origem maia, e 50% das crianças indígenas são desnutridas.
Em 20 de outubro, o país comemora o dia da Revolução. Em 1944, foi derrubado o governo ditatorial do general Jorge Ubico. Nos anos 1960, o conflito criado entre grupos de esquerda e o governo apoiado pelos EUA afundou o país em uma guerra civil que duraria 36 anos.
Calcula-se que, antes dos acordos de paz de 1996, tenham sido assassinadas cerca de 150 mil pessoas. No trabalho de exterminar os grupos guerrilheiros, foram também eliminadas comunidades indígenas inteiras.
Ao contrário do que se poderia imaginar, os indígenas não vivem em bucólicas aldeias em meio à natureza, dando continuidade à cultura maia. Pedem esmolas aos estrangeiros e moram nas favelas que circundam as cidades turísticas, produzindo pulseirinhas, réplicas de animais sagrados, vestimentas e tortillas.
A internauta Fernanda Cardozo, de Porto Alegre (RS), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.