Morro da Babilônia: onde fica e o que fazer lá
O Morro da Babilônia é um grande ponto turístico, principalmente por sua vista privilegiada, movimentando sua economia
O Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, é um exemplo de turismo social e sustentável, destacando iniciativas como trilhas ecológicas, rodas de samba, empreendimentos comunitários e o projeto Favela Orgânica, que incentivam renda e valorizam a cultura local.
No imaginário popular, o nome Babilônia é associado aos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo, que teriam existido onde hoje é o Iraque. No Rio de Janeiro, o Morro da Babilônia, que atrai turistas do Brasil e do Mundo, está na zona sul.
Voltando ao passado, os portugueses teriam associado as belezas naturais aos Jardins Suspensos da Babilônia, daí o nome. No século 18, construíram uma fortificação para vigiar a Baía de Guanabara. No início do século 20, a ocupação cresce. Chegou-se a projetar uma ligação entre os morros da Babilônia e da Urca, jamais concretizada.
Mostrar as belezas e realidades locais gera renda com turismo, forte no Morro da Babilônia, entre outras iniciativas empreendedoras dos moradores. Além das inúmeras histórias para contar e ouvir, a paisagem natural e a arquitetura servem de cenário para produções audiovisuais.
O filme feito por franceses e brasileiros, Orfeu do Carnaval, de 1959, ganhou o festival de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para a França. Cite-se ainda Tropa de Elite e a novela Babilônia, de Gilberto Braga.
Onde fica o Morro da Babilônia?
A comunidade está localizada entre os bairros de Botafogo, Urca, Leme e Copacabana. Abriga as favelas do Morro da Babilônia e do Chapéu Mangueira, que têm, juntas, 3.739 moradores, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O nome Mangueira tem duas explicações. Por ser uma das principais áreas produtoras de manga no Rio de Janeiro, a Estrada de Ferro Central do Brasil batizou uma das estações com o nome da fruta. Já Chapéu Mangueira, nome da comunidade, se deve à Fábrica de Chapeus Mangueira, referência na área até a década de 1950.
Como chegar ao Morro da Babilônia?
Além de muita história, os itinerários e trilhas levam a vistas maravilhosas como Pão de Açúcar, Cristo Redentor e praia de Copacabana. A localização privilegiada explica a força do turismo.
É possível chegar ao Morro da Babilônia de ônibus, metrô e teleférico com o Bondinho, linha turística. De ônibus, são ao menos cinco linhas.
De metrô, a estação mais próxima está no Leme, menos de 15 minutos a pé até o Morro da Babilônia. De Bondinho, descendo na praia Vermelha, também são 15 minutos caminhando. O Bondinho é um marco turístico, projetando o nome do Brasil no exterior.
O que fazer no Morro da Babilônia?
O turismo de trilha chegando, por exemplo, ao Mirante do Leme, é forte no território. Edson Vander, o Eddie, 42 anos, cria do Morro da Babilônia, é guia na favela. Atua há 24 anos como freelancer em diferentes agências. Para ele, o mais importante é falar para os turistas sobre os pontos positivos do território.
São vários: ações de reflorestamento, energia solar, alimentação com comida orgânica. “A minha proposta não é só levar o turista no Mirante. Não, cara; vamos andar pela favela, escutar um pouquinho sobre as pessoas, falar da história, das narrativas dos mais velhos”, explica Eddie.
Leonardo Dester, 35 anos, é guia de turismo no Projeto Amastour Turismo de Favela. Todos que trabalham no empreendimento são moradores do Morro da Babilônia e recebem formação no Projeto. Um dos valores praticados é a preservação da natureza, um patrimônio local, como o Parque Natural Municipal Paisagem Carioca.
Para vencer as subidas e tortuosidades inevitáveis do morro, os guias promovem a acessibilidade em uma parceria com o Coletivo Inclusão, para levar pessoas com deficiências físicas aos pontos turísticos.
O Morro da Babilônia é palco para muita cultura. O Coletivo Independente Família Campinho, a Família CMP, é um grupo musical que promove campeonatos de pipas, eventos e, especialmente, rodas de samba.
Tiago de Jesus Severo, construtor, trabalha como apoio de som e, segundo ele, “o objetivo é promover a melhoria do local e ajudar as famílias que têm barracas. Está girando a economia do bairro”, diz.
Favela Orgânica: projeto local com mão de obra do morro
O Favela Orgânica emprega moradores do Morro da Babilônia e tem frentes como horta própria, restaurante e um livro aberto de receitas, escritas nos muros da favela. Elas colorem as ruas, incentivam a alimentação saudável e o não desperdício de alimentos.
O projeto conquistou diversos prêmios. A chefe de cozinha Regina Tchelly conta que “um dia quis tirar esse projeto dos meus sonhos e concretizá-lo. Juntei algumas mães da comunidade, fizemos uma vaquinha de cento e quarenta reais e realizei a minha primeira oficina. Não parei mais”, resume.