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Violência faz foliã desistir do Carnaval. “Nem se derem barra de ouro”

Um em cada quatro entrevistados pela pesquisa Terra Insights desistiu da festa carnavalesca por causa da violência

26 fev 2025 - 14h38
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Resumo
Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste estão as pessoas que mais desistiram de curtir desfiles, blocos, shows e outros eventos de Carnaval. No Sul, a menor quantidade. Entrevistadas dizem que mulheres correm mais riscos.
Mulheres fogem de assalto, assédio e preconceito. Pesquisa mostra que 26% não vão ao Carnaval por causa da violência.
Mulheres fogem de assalto, assédio e preconceito. Pesquisa mostra que 26% não vão ao Carnaval por causa da violência.
Foto: Tania Rego/AB

A violência vivida e presenciada faz com que uma em cada quatro pessoas desistam de frequentar as festas carnavalescas no Brasil. É o que mostra a pesquisa Terra Insights, segundo a qual moradores da região Centro-Oeste são os que mais se afastaram da folia por insegurança, 33%.

A segunda região onde mais gente deixa de curtir o Carnaval é o Nordeste, com 30%. É onde mora Viviane de Bastos, professora de dança da rede municipal de Salvador. Ela vive na capital baiana há 25 e vem deixando frequentar os circuitos pela violência crescente.

Ela já foi assaltada e aponta as dificuldades: aglomeração cada vez maior de pessoas; brigas; a desconfiança quanto às bebidas e a maneira como outras pessoas interpretam quem bebe; o perigo de ser mulher voltando de madrugada para casa, mesmo de taxi ou aplicativo.

“Sozinha, cada vez menos tenho coragem de ir. No ano passado, peguei taxi, o taxista corria que nem louco. E o medo de reclamar? Ele está correndo para pegar outra corrida, tudo é muito em excesso”, explica.

Viviane de Bastos, de Salvador, fica cada vez menos à vontade para se misturar à multidão do Carnaval.
Viviane de Bastos, de Salvador, fica cada vez menos à vontade para se misturar à multidão do Carnaval.
Foto: Arquivo pessoal

No Rio de Janeiro, foliã assídua agora assiste pela televisão

Catia Silene, moradora do Caju, zona norte do Rio de Janeiro, costumava curtir todos os carnavais. Brincava no Cordão do Bola Preta, em escolas de samba, em espaços abertos, como a praia. Mas foi parando e, há quinze anos, não vai mais.

“Fui desacelerando. Não posso parar num bar, ficar do lado de fora, corro o risco de tomar algum tiro, ser assaltada, essas situações são frequentes. O ambiente é espetacular, traz um vigor, mas quando você está no meio daquele público, fico esperando o que alguém pode fazer contra você”, explica.

Para ela, um dos problemas é ter uma quantidade suficiente de guardas diante da multidão. Ela observa pessoas saindo em blocos e se prevenindo, guardando dinheiro e pertences dentro da roupa. Apesar disso, não é contra o Carnaval.

Cátia Silene sempre curtiu o Carnaval no Rio de Janeiro, mas foi deixando de ir e, há quinze anos, desistiu.
Cátia Silene sempre curtiu o Carnaval no Rio de Janeiro, mas foi deixando de ir e, há quinze anos, desistiu.
Foto: Arquivo pessoal

“Super indico, não sou contra, só que o medo dominou muita gente. Minha roupa está preparada, mas vou ficar em casa”. Segundo a pesquisa Terra Insights, 23% das pessoas na região Sudeste deixam de curtir o Carnaval por causa da violência.

Haveria solução para a violência no Carnaval?

26% das mulheres entrevistadas pela pesquisa Terra Insights alegaram medo da violência no Carnaval. As duas entrevistadas desta reportagem não são otimistas quanto ao futuro. Para elas, não se trata simplesmente de colocar mais policiamento.

O problema estaria em questões conjunturais como o excesso de gente no Carnaval, de dinheiro circulando, o fato de mulheres se sentirem mais vulneráveis – a entrevistada baiana lembra também do acirramento de disputa entre facções criminosas, que inibe até fotos de pessoas fazendo gestos com as mãos.

Foliões em Brasília. Pesquisa Terra Insights mostra que 33% da região Centro-Oeste não pula Carnaval por causa da violência.
Foliões em Brasília. Pesquisa Terra Insights mostra que 33% da região Centro-Oeste não pula Carnaval por causa da violência.
Foto: Antônio Cruz/AB

“A crise de segurança é do Brasil todo. Acho que isso pode ter mudanças, mas a gente tem que resolver coisas básicas, estruturais. Sem a gente falar dessas questões, como a gente quer um carnaval mais democrático, mais seguro?”, pergunta a professora de dança baiana.

A ex-foliã Cátia Cilene, do Rio de Janeiro, é ainda menos otimista. “Eu não vejo melhora no comportamento humano, se as pessoas fossem somente brincar, fazer amizade, traria mais visitantes para o Carnaval, mas eu não acredito mais nisso, que vá melhorar. É uma esperança que eu não tenho”.

Fonte: Visão do Corre
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