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DÊ SUA OPINIÃO
(OU CALE-SE PARA SEMPRE)
Filme: Lado
a Lado
De: Julia Pires
Sua crítica está muito boa, você escreveu sobre alguns aspectos que eu
não tinha reparado quando assisti o filme. Mas não posso deixar de dizer
que amei a cena em que Ed Harris pede a Julia Roberts em casamento...
Simplesmente maravilhosa! Você, como pouco romântico que é (ou pelo menos
aparenta), não deve nem ter notado...
De: Gerbase
Notei o caráter romântico do moço, Júlia. Mas também notei que o personagem
de Ed Harris, num momento complicadíssimo para seus filhos, está sempre
ausente. Além disso, não ajuda muito sua namorada a compreender o cotidiano
das crianças, nem lava a louça, nem se preocupa muito com a carreira de
sua bem-amada (ou não a deixaria naquela roda-viva). Ser romântico, além
de dar anéis, é sujar um pouco as mãos nas pequenas tarefas domésticas.
De: Scotta
"Lado a Lado" trata de lares desfeitos e câncer em família. O menino
é um capeta, e a filha mais velha odeia a madrasta. Se isso não "arranha"
alguma coisa, então não sei o que "arranha"... Não se pode também exigir
muito de um diretor que foi responsável pelos dois "Esqueceram de mim"
e "Uma babá quase perfeita", principalmente se o filme dele estréia nos
cinemas na mesma época que "A civil action" (com John Travolta), "The
thin red line" (Sean Penn, etc.) e "The faculty" (Robert Rodriguez/Kevin
Williamson). Querer ousar numa hora dessas, principalmente numa sociedade
conservadora como a americana, é pedir para o público fugir do cinema.
E como "eles" fazem filmes para "eles", cabe a nós, pobres mortais do
terceiro mundo, desligar o cérebro e ir ao cinema. Ainda mais quando se
ganha para fazer isto né? ;-) PS: Está na tua agenda assistir "A vida
é bela" do Roberto Benigni?
De: Gerbase
Tudo bem, não devemos exigir de um filme muito mais do que ele
mesmo se propõe a realizar, mas, apenas usando a sua comparação, é bom
lembrar que "The thin red line" (que vi há pouco) é um filme de guerra
bastante ousado, na estética e no conteúdo. E que o filme "Gods and monsters"
(também recém- lançado, e que ainda não vi), está tendo boas bilheterias,
é um sucesso de crítica e, pelo que li a respeito, é também bastante inovador.
Tem gente que consegue a façanha de ousar e mesmo assim ter sucesso de
público. Não é o caso de "Lado a lado", mesmo porque, como você disse,
seu diretor não tem a criatividade (ou a coragem) necessária para sair
do lugar-comum.
De: Juliano Silveira
Camargo
Olha, eu não vi ainda o "Lado a lado", mas depois de ler sua crítica,
e compará-la com a do "Amor além da vida", que é um belo drama no tema
em que trata, só posso dizer uma coisa: o que leva você a dar duas medidas
diferentes para os filmes na hora de fazer sua crítica? Às vezes parece
que você dormiu no meio da sessão e só tratou de perguntar pra alguém,
quando o filme acabou, qual foi o final da história. E o resto basta descer
a lenha. Foi essa a minha impressão em relação à sua crítica do "Amor...",
afinal é uma história romântica bonita e comovente, pois mostra algo que
nós podemos sentir e viver em nossas vidas. Tanto um amor forte como aquele,
quanto uma vida marcada por tragédias. Sem falar que espero que o céu
e o inferno sejam iguais aos que foram mostrado no filme, exatamente como
em nossos sonhos. E olha que não sou espírita e nunca li Kardec. Eu sei
que "Lado a Lado" provavelmente é um ótimo filme, minha irmã assistiu
e disse que é bom, mas não é justo desprezar, em "Amor...", a mensagem
que ele quer passar. Você já pensou nisso? Acho que todo filme dramático
tem por obrigação, seja ele bom filme ou não, passar alguma boa mensagem.
Se o filme conseguiu isso, já merece créditos. Se o fez com um bom conjunto,
melhor ainda. Mesmo que seja uma repetição de valores e temas. Afinal,
não se pode culpar um diretor ou roteirista por ter nascido depois que
a maioria já usou as idéias mais simples. Tudo pode ser recriado, visto
por um novo ângulo. Assim é a vida, assim é o cinema. Assim é o tema do
"Amor além da vida", que não é parecido com o "Ghost" ou com qualquer
outro não. Abraços, e tenta dar uma "maneirada" aí porque suas críticas
praticamente me obrigam a mandar mails contrários às suas opiniões.
De: Gerbase
"Lado a lado", na minha opinião, é um filme careta e meio chato,
mas tem unidade, é verossímil, e, principalmente, seu roteiro é competente.
"Amor além da vida" é igualmente careta e meio chato, mas, além disso,
é irregular, inverossímil e seu roteiro contém algumas bobagens pesadas.
Quanto às "mensagens" que os filmes mandam, continuo concordando com aquele
produtor de Hollywood: se o roteirista quer "mandar uma mensagem", é melhor
que passe um telegrama. Veja bem, não estou defendendo um cinema sem conteúdo,
pelo contrário; mas tanto "Amor além da vida" quanto "Lado a lado" não
compensam suas fragilidades narrativas com suas eventuais boas intenções.
E de boas intenções, é bom lembrar, o inferno (inclusive o de Robim Wilians)
está cheio. Em tempo: seus "mails contrários" serão sempre bem vindos.
De: Alfa
Eu acho que você está certo quando diz que o filme é certinho, correto
e sem transtornos. Mas, na minha opinião (minha), você não captou o enfoque
maior do filme, que não é a separação, o segundo casamento ou a morte
por câncer; a meu ver, a real intenção do autor foi demonstrar a dolorida
decisão de delegar amores, principalmente o de filhos. Eu chorei, confesso,
e muito! Não na sala do cinema, e sim em casa, quando percebi que, como
qualquer outra mãe ou pai, poderia um dia me ver frente à necessidade
de ter que entregar não só os meus filhos, mas o amor deles a outra pessoa,
e nada, absolutamente nada, dói mais que a substituição irremediável do
amor. E é tão desconfortável se ver frente a essa realidade que, na verdade,
passamos a vida na ilusão da eternidade, e, quando me vi ali, frente a
atores tão sensíveis e convincentes, confesso que chorei!
De:
Gerbase
Acho que você tem razão, pelo menos parcialmente. O filme tenta ser
sobre essa transferência de amor; infelizmente, não consegue. Se tivesse
conseguido, seria um filme menos choroso, mais comedido e mais centrado
na personagem de Susan Sarandon. Mas o espectador é sempre levado a ver
a situação sob o ponto de vista de Julia Roberts, enfraquecendo a discussão,
pois o drama dela é a conquista dos filhos, e não o seu abandono (ou a
transferência do seu amor). E mais: se o filme fosse realmente a fundo
na questão, teria que discutir o caráter da "entrega" do amor, ou seja,
a pretensa impossibilidade da divisão desse amor entre as duas mulheres,
pelo menos enquanto ambas estão vivas. E aí teria que falar também das
regras da família tradicional ocidental, que estão aí para garantir que,
dentro da mesma casa, apenas um homem e uma mulher convivam alegremente
e eduquem seus filhos. Tenho uma dica de um livro de ficção-científica
que vai fundo no tema: "Amor sem limites", de Robert Heinlein, que, desconfio,
está fora de catálogo.
De: José Ricardo
Seabra
Confesso que, quando assisti "Lado a lado", fiquei com uma mórbida curiosidade
em saber qual seria tua opinião em relação a mais este xarope americanizado
enjoativo. Até que você foi bem condescendente em relação ao filme, pois,
pra mim, "Lado a lado" é mais uma porcaria tipo exportação, onde as patricinhas
podem chorar no ombro de seus mauricinhos na sessão de sábado à tarde,
achando que estão vendo um grande drama sobre relações humanas. O filme
contém aquela luz e aquela aura que tanto me irrita nos produtos tipo
exportação dos americanos. E talvez o grande erro seja o de direção, pois
Chris Columbus não é diretor de nada, e sim pau mandado de produtores
gananciosos por bilheteria, que nada entendem da 7ª arte. O filme é nitidamente
feito de "cenas". Tem a cena de abertura para se conhecer os personagens,
a cena que mostra a maternidade resolvida do personagem de Susan Sarandon
(dançando com os filhos), a cena da maconha (que você tanto gostou); a
cena da doença, a cena do confronto entre as duas mulheres no restaurante...
e por aí vai. Faltou em remendo mais bem costurado entre este monte de
cenas cheias de clichês e diálogos horrorosos. A cena final, em que cada
filho sobe ao quarto da mãe para uma despedida lambisgóia, já em estado
terminal, é de vomitar no chão do cinema. Hollywood já fez coisas bem
melhores em relação a dramas com despedidas e doenças. Aliás, a resignação
de Susan Sarandon, deixando que o câncer lhe tire a vida, e não optar
por qualquer outro tratamento, tendo dois filhos a quem tanto ama, é de
uma cretinice terminal. Enfim, "Lado a lado" é mais um excremento coberto
com chantilly e confeitos coloridos importado de Hollywood. E, por incrível
que pareça, Julia Roberts é a grande surpresa do filme; com seu largo
sorriso luminoso e agradável presença, ela transmite alegria e algum sentimento
em seu personagem. Susan Sarandon não precisa ficar chorando por um olho
só - e bem arregalado - para provar que é ótima atriz. Em "Os últimos
passos de um homem" ela já provou que pode emocionar sem ficar morrendo
pelas beiradas.
De: Gerbase
Todo filme é feito de cenas - e, portanto, este não é um demérito -,
mas concordo com você que, em "Lado a lado", a costura destas cenas algumas
vezes é mal realizada. Quanto aos diálogos, não achei assim tão horrorosos,
apesar de estarem longe de ser brilhantes. Eu, particularmente, não gosto
muito de gente chorando nos filmes, porque quase sempre é uma apelação
barata (há exceções!), mas Susan Sarandon chora bem. E, sem dúvida, Julia
Roberts ri bem.
De: Ademar Junior de Queiroz
Gerbase, sei que você não tem nada com isso, mas alguém poderia me
explicar de onde o ZAZ tirou que o filme "O encantador de cavalos" foi
indicado na categoria melhor filme e - pior ainda - que a Gwyneth Paltrow
ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz? Isso é um desrespeito com a atuação
fabulosa de Cate Blanchet, a verdadeira vencedora do referido prêmio por
"Elizabeth" e um deslize imperdoável com seus leitores/internautas. Informação
é coisa séria. E agora uma dúvida (achei que poderia recorrer a você):
pode um mesmo filme concorrer nas categorias "melhor filme" e "melhor
filme estrangeiro", como aconteceu com o ótimo "A vida é bela"? O simples
fato dele ser uma produção absolutamente italiana não o coloca no rol
de filme estrangeiro?
De: Gerbase
Tenho que confessar, Ademar, principalmente porque agora o Oscar se aproxima:
não entendo muita coisa dessa festinha, não me emociono com ela e quase
sempre durmo na apresentação da segunda música. Não sei quem se enganou
quanto aos indicados, mas desde já peço perdão em nome do ZAZ. Quanto
à dupla indicação de "A vida é bela", creio ser um fato muito raro (ou
inédito), mas não há regra que proíba, e o filme está fazendo boas bilheterias
nos EUA, o que é o melhor passaporte para quebrar qualquer regra (se ela
existisse).
De: Sinlow
Da última vez q li sua crítica estava meio doente e detestei mesmo
ver alguém "meter o pau" num filme q não tinha a menor pretensão de ser
bom, mas q mesmo assim algumas pessoas insistiram em esculachar... Refiro-me
ao "Da magia à sedução". Mas tudo bem. Com relação à crítica desta semana
("Lado a Lado"), achei PERFEITA. Vc ressaltou os pontos fracos (esse poderia
ser qualquer outro filme sobre uma família americana mesmo) e os bons
(o uso da maconha pela Susan Sarandon). Parabéns! Dessa vez vc soube pesar
os dois lados! PS: Infelizmente não tive a oportunidade de assistir "Para
sempre Cinderela" a tempo de lhe enviar um mail, mas agora, lendo sua
crítica novamente, por incrível q pareça, concordo plenamente com TUDO.
Tenho q confessar q essas duas últimas críticas muito me agradaram, q
as q não concordei pelo menos serviram para me mostrar como as pessoas
realmente são diferentes nesse mundo! E q de alguma forma todos saem diferentes
da sala escura.
De: Gerbase
Obrigado. É bom saber que alguma coisa nós temos em comum. Mas tenho que
discordar da sua afirmação demasiadamente otimista sobre cinema. Acho
que a maioria dos filmes (como "Da magia à sedução" e "Lado a lado", por
exemplo) nos fazem sair do cinema cada vez mais iguais uns aos outros,
porque nada fazem além de repetir fórmulas. E apenas alguns filmes (uma
minoria) são realmente capazes de nos transformar, nem que seja um pouquinho.
Um dos meus objetivos aqui no ZAZ é tentar fazer essa distinção, que,
é claro, será sempre subjetiva e discutível.
De: João Pedro
Gerbase, finalmente você acalmou! Percebeu que um filme que emociona
não precisa ser chato! Espero que continue assim, com críticas mais equilibradas
e mais tolerância, percebendo que um filme que diverte e entretém sem
muita inteligência (o que não é o caso de "Lado a Lado") pode divertir
sem ser medíocre. Fique assim que está melhor.
De: Gerbase
Tudo bem, João Pedro, mas vou adiante: um filme pode muito bem divertir,
ser medíocre e ter seus méritos. Quando falo em "mediocridade" falo na
acepção menos depreciativa do termo: ser mediano, comportar-se pela média,
o que é quase regra no cinema americano comercial.
De: Carlos Neujahr
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que sempre que posso leio suas
opiniões sobre os filmes em cartaz, e SEMPRE discordo delas. Mas como
os meios de comunicação estão cheios de pessoas como você, que só detonam
os filmes, achei que você só seria mais um. Acontece que depois de refletir
bastante sobre isso, resolvi escrever esta carta, até mesmo para dar um
"feedback" do trabalho desenvolvido. Nada contra, acho que cada um tem
sua opinião, mas quando o assunto é cinema, acho que devem ser considerados
alguns fatores. O primeiro deles, é que as pessoas, pelo menos eu, vão
ao cinema para assistir filmes, que não necessariamente precisam ser a
expressão da realidade, ou seja, para mim não há problema que os filmes
mostrem famílias perfeitas, situações politicamente corretas, até porque
de realidade o mundo aqui fora já está cheio, e eu vou ao cinema para
ver fantasias, histórias que nunca aconteceriam no mundo real, e acho
que isso deveria ser considerado. Resumindo, achei o filme muito bom,
e acredito que o objetivo dele, de passar uma mensagem para o espectador,
foi atingido. Não vou me esquecer tão rápido desse filme, tanto por causa
dos atores, que estavam quase todos ótimos (não gostei da atuação da filha
do casal), como pelo roteiro, pela história, que nos faz refletir a respeito
da família, que pelo menos para mim é uma das coisas mais importantes
que existem. Acho que é importante, na hora de fazer a crítica, ter um
caráter de neutralidade, por mais difícil que possa ser. Muito do que
você vê pode ser compreendido pelos seus olhos e analisado tomando como
base o seu passado, a sua própria história, que é diferente da história
que qualquer outro. É importante se dar conta disso, não? Continue seu
trabalho, assim poderemos discutir mais vezes, o que, pelo menos para
mim, me engrandece muito.
De: Gerbase
Também não procuro realismo total num filme. Como já escrevi em respostas
mais antigas, procuro verossimilhança, que é uma coisa bem diferente.
"Lado a lado", por exemplo, não tem qualquer problema quanto a este aspecto.
Mas não me peça para ser "neutro". Críticas "neutras", que sempre buscam
os pontos positivos e negativos; que sempre acham méritos e deméritos;
que sempre apresentam os fatos, em vez de comentá-los; que evitam opiniões
ou juízos de valor subjetivos; enfim, que não querem se comprometer, são
sempre muito chatas. Prefiro errar bastante, pecar por eventuais excessos
e poder discuti-los com os leitores, que ser mais um medíocre de plantão.
De: Márcia Tscherkas
Antes de mais nada, gostaria de dizer que está é a quarta ou quinta opinião
de filmes que você escreve, e que eu leio. Concordei com todas, inclusive
"Vida de Inseto" - que é bárbaro - e "Cartas na Mesa" - igualmente bárbaro.
Antes de começar, só mais uma entrelinha: nervosamente, é a primeira vez
que escrevo para alguém dizendo o que achei (e acho) sobre filmes. Não
pude deixar de concordar, mais uma vez, com você a respeito de "Lado a
Lado". O filme é insosso e ponto final. Como aqueles (milhões de) filmes
a que vamos assistir, e que, depois que saímos dali, já nem nos lembramos
mais qual era mesmo o nome da atriz ou ator principal. Tudo bem, neste
caso, não vamos exagerar! Susan Sarandon mostra que talento nunca lhe
faltou, mas está faltando um papel menos "óbvio", como foi mostrado em
"Louca paixão". E Ed Harris, ora, faça-me um favor, o caro é um mero coadjuvante
na história essencialmente feminista-feminina. Fiquei decepcionada com
o filme. A palavra que veio à minha cabeça, depois de 2 hs e 15 de filme
(além de uma baita dor na bunda), é "o filme é o golpe". Para arrancar
lágrimas, alguns sorrisos e só. Nada existencial, nada a acrescentar.
A surpresa fica mesmo por conta de Julia Roberts. Mais detalhe: há "merchandising"
de (maravilhosas) câmaras fotográficas, mas ninguém ensinou-a como se
fotografa, e que um profissional costuma usar mais de uma lente quando
faz um trabalho profissional. Apenas detalhes, pormenores... Enfim, resumindo:
o filme é um drama e só!
De: Gerbase
Também fiquei com essa impressão de filme insosso e, ao mesmo tempo,
apelativo. E você tem toda razão quanto à fragilidade das cenas de Julia
Roberts como fotógrafa. Ela chega, aperta o botão e pronto. Parece que
fotografar bem é uma questão de dom divino e alguma tecnologia, e não
de esforço pessoal, conhecimento e dedicação. A relação dela com o patrão
(que reclama da qualidade dos últimos trabalhos) tenta amenizar essa falha,
mas não consegue. Se você quer ver um filme que trata da morte e da separação
de um ponto de vista, digamos, "existencial", pega "Gritos e sussurros"
no vídeo-clube. Ele é o oposto a este "Lárimas e sorrisos".
De: Samson
Finalmente você voltou! Pensei que já estava em ritmo de carnaval. O filme
"Lado a lado" de certo que é um drama, e um drama familiar; quem vai ao
cinema tem que levar um lencinho, pois o choro em alguns momentos é inevitável,
mas Susan Sarandon está espetacular no papel de mãe que sabe que vai morrer
e tem que deixar os filhinhos com a substituta. Julia Roberts finalmente
parou de fazer aqueles papéis bobos e românticos e enveredou pela comédia
e pelo drama, de uma forma mais acadêmica e mais séria. Se continuar assim,
vai ganhar o Oscar em algum momento de sua carreira. O filme é dramático,
mas bem balanceado. Tem momentos de humor, de alegria e confraternização.
A questão do pai ter um papel secundário (neste caso, nem secundário ele
é) é uma atitude feminista, mas é extremamente real. Talvez focalizada
demais neste filme, por isso lhe chamou tanto a atenção. Mas, meu caro
Gerbase, quando os filhos vêm ao mundo, dificilmente é o pai que fica
cinco meses em casa, às voltas com mamadeiras, fraldas e etc. e tal. Este
é um papel predominante da mãe e, se não fosse a emancipação feminina,
muitas mulheres ainda hoje estariam largando seus empregos e suas carreiras
para cuidar dos filhos. O pai tem o papel fundamental de chegar em casa
e ver o bebê limpinho e cheirosinho, e é quase impossível imaginar um
homem trocando fraldas e amamentando. Isso é extremamente papel da mãe.
Claro que o filme exagerou, pois o pai poderia ter sido uma figura mais
participativa, mas... o que é que podemos fazer se Ed Harris topou o papel,
e Susan Saradon deu um show de interpretação? Nada. Apenas assistir ao
filme, que é daqueles com final previsível. Se você já sabe o que te espera,
ou leva o lencinho e derrama algumas lágrimas e depois vai embora, ou
opta por um de ação, ou o espetacular "Vida de inseto". O estúdios precisam
explorar mais os filmes humorísticos, a galera está precisando rir mais
um pouquinho, não é?
De: Gerbase
Se o filme fosse realmente feminista, como você afirma, as duas mulheres
deveriam reclamar da postura do Ed Harris, em vez de aceitá-la como natural.
Eu acho que o filme é um pouco machista, e isso não é culpa do ator que
aceitou o papel, e sim do roteirista e do diretor. Filmes retratam a sociedade,
mas também agem sobre ela. Infelizmente, "Lado a lado" abdica desse último
papel.
De: Lisandro Faverzani
Gostei muito deste espaço q vcs aí do Zaz optaram em realizar. Acho q
todos temos o direito de opinar. Todo o ser humano é livre pra fazer o
q bem entender, desde que moderadamente. Sou a favor de criticar. Vejo
a todos os filmes que estão em cartaz, dos mais promíscuos até o que vc
possa imaginar. Digo e grito a todos: assistam, corram para os cinemas,
pois lá dentro todos nós podemos desfrutar de descontração e anti-stress.
Minha opinião é de um garoto de 16 anos que só quer passar aos outros
que ajudem a levar o nome do nosso cinema brasileiro às alturas, pois
elenco, e dos bons!, nós temos em nosso país, desde Vinícius de Oliveira
até Fernanda Montenegro (os dois de "Central do Brasil").
De: Gerbase
Falou, Lisandro! É bom mesmo tentar levar o cinema brasileiro às alturas,
já que ele, historicamente, sempre ficou meio por baixo. E você lembrou
bem: temos um patrimônio fantástico de bons atores e atrizes, de todas
as idades e tipos físicos. Tanto Vinícius de Oliveira, um ex-engraxate
que atua intuitivamente, quanto Fernanda Montenegro, com técnica dramática
inquestionável, são provas da vitalidade de nosso cinema. E não vai ser
o Oscar (ou o "não Oscar") que retirarão de "Central do Brasil" seu maior
mérito: a feliz comunicação com o público, seja ele brasileiro (o mais
importante de todos neste momento) ou estrangeiro. Em breve, pretendo
falar outra vez sobre "Central do Brasil" e seu pretenso "inimigo" - "A
vida é bela". Mas me diz uma coisa, que eu estou morrendo de curiosidade:
o que é um filme "promíscuo"? Até a próxima semana.
Lado a Lado
(EUA, 1998). De Chris Columbus.
Dê
sua opinião ou cale-se para sempre
Carlos
Gerbase é
jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor.
Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A
gente ainda nem começou e "Fausto")
e atualmente prepara o seu terceiro longa-metragem para cinema, chamado
"Tolerância".
Índice
de colunas.
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