São Paulo - Virou costume no São Paulo: entra ano e sai ano, a diretoria tricolor se movimenta nos bastidores para negociar os meias Carlos Miguel e Souza.
O alvo da polêmica são os altos salários de dois dos mais técnicos jogadores do elenco.
O primeiro a se pronunciar a respeito foi o ex-presidente do clube José Augusto Bastos Neto. No ano passado, Bastos Neto chegou a dizer que o salário de Miguel, fixado em US$ 80 mil (pelos valores de hoje, cerca de R$ 160 mil), era incompatível com o futebol brasileiro.
"Ninguém discute a qualidade técnica do Carlos Miguel, mas o seu salário é muito alto e em dólar", afirmou Bastos Neto.
Em maio deste ano, Paulo Amaral Vasconcelos foi eleito e logo os boatos da saída de Carlos Miguel tomaram o Morumbi. O Palmeiras seria o destino do meio-campista.
"Se dependesse de mim, já estava do outro lado do muro", afirmou Carlos Miguel, em alusão ao centro de treinamento do Palmeiras, vizinho ao CT do São Paulo.
No mesmo caso se encaixa Souza. Seu salário não está tão supervalorizado quanto o de Miguel, mas está bem acima da média: aproximadamente R$ 70 mil por mês. A média salarial, diz a diretoria tricolor, é de R$ 30 mil.
Nem a admiração de Bastos Neto é capaz de convencer a diretoria de que Souza é indispensável ao time.
"O Souza é uma obra de arte", disse Bastos Neto, ao comentar o jogo São Paulo e Fluminense, pela Copa JH.
Por causa desse comentário, Souza foi centro de uma das inúmeras polêmicas que envolveram o então técnico Levir Culpi. Ao mesmo tempo, dividiu os conselheiros do clube.
Após a Copa JH, Carlos Miguel e Souza chegaram a ser considerados cartas fora do baralho juntamente com o zagueiro Wilson e o volante Axel. Desses, no entanto, apenas Axel ficará sem contrato. De qualidade técnica inquestionável, os dois meias são uma espécie de "heróis da resistência" do Morumbi.