Sydney - Eurico Miranda não sai da ribalta. Depois de ser denunciado e criticado por receber dinheiro da CBF para a sua campanha, o deputado foi alvo de novas acusações ontem em Sydney. Ao conquistar a primeira medalha para o Brasil nos Jogos Paraolímpicos, um bronze na prova dos 150 metros medley, categoria SM3 (atletas com sérias deficiências nos braços e nas pernas), o nadador paraibano Genezi Andrade e seu técnico José Rosélio Queiróz, o Zeca, denunciaram o Vasco da Gama, que não pagou os últimos dois meses de salários referentes ao acordo firmado via Comitê Paraolímpico Brasileiro.
A confusão não parou aí. Segundo Zeca, os uniformes da equipe de natação só foram entregues pela Olimpikus, patrocinadora do Comitê Olímpico Brasileiro, no hotel, na Austrália. E pior: sobras da Olimpíada alteradas grosseiramente. "Se o Nuzman (presidente do COB) quiser abrir um processo, pode abrir, a Olimpikus simplesmente colou o símbolo paraolímpico por cima", contou Zeca.
As denúncias estragaram a festa de Genezi, de 28 anos, que há 20 vive em Natal, onde Zeca Queiróz mantém uma academia de natação para deficientes. O Comitê Paraolímpico também foi criticado pelo treinador por causa do atraso na realização dos Jogos Desportivos Paraolímpicos, o que prejudicou alguns nadadores de ponta que acabaram não conseguindo índice.
Kléber Veríssimo, diretor-técnico do Comitê, representou o presidente João Batista Carvalho e Silva na coletiva para explicar a confusão. Disse que tudo foi decorrente da falta de recurso e de arbitragem, já que o Comitê Internacional não teria reconhecido alguns resultados em função da ausência de arbitragem oficial.
Apesar dos problemas, Zeca garante que sua equipe conseguirá repetir o feito de Atlanta, em 1996, quando conquistou nove medalhas. Ontem, na prova dos 150 medley, o ouro foi para o mexicano Juan Ignácio Reyes, que bateu o recorde mundial com 3min06s44, e a prata para o tailandês Som Chai Doung Kaen, com 3min13s49.