Rio - O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou em seu depoimento na CPI do Senado, que investiga supostas irregularidades no futebol brasileiro, que não é candidato à reeleição. Mas, mesmo sem tentar se eleger em 2003, ele garante que vai entregar o cargo ao seu sucessor sem muitos problemas. O dirigente assegura que a situação fiscal da entidade é normal, mesmo com a CBF enfrentado dois processos por sonegação.
“Respondemos a dois processos. No primeiro a CBF foi absolvida porque ficou comprovado que houve um erro de preenchimento de dados. No segundo processo, estamos recorrendo no setor administrativo da própria Receita Federal, uma vez que o dinheiro que dizem que a CBF não declarou, nunca passou pelos cofres da entidade”, afirmou Teixeira.
Segundo o presidente da CBF, o orçamento da entidade para este ano deverá ser de pouco mais de R$ 70 milhões, mesmo valor do ano passado. Teixeira explicou que apenas os dirigentes que trabalham a semana toda na CBF são remunerados e revelou seu salário aos senadores.
“Recebo anualmente cerca de R$ 297 mil reais”, afirmou Teixeira.
Para evitar dúvidas sobre a sua honestidade, Teixeira deixou os senadores à vontade para quebrarem os seus sigilos fiscal e bancário. Ele disse que antes de assumir a presidência da CBF, tinha um patrimônio de R$ 2,8 milhões e atualmente possui cerca R$ 4 milhões.
CBF ajudou em campanhas políticas
Ricardo Teixeira contou aos senadores que a CBF já fez doações financeiras para as campanhas de deputados federais e de partidos. Dois dos candidatos ajudados pela entidade foram os deputados Eurico Miranda (PPB-RJ) e Darcísio Perondi (PFL-RS).
Teixeira só não soube responder se a CBF tinha ajudado o atual diretor-técnico da entidade, Alfredo Nunes, na sua candidatura à Prefeitura de Regeneração (PI). A suspeita surgiu após os senadores receberam a informação de que Nunes distribuiu material esportivo aos eleitores durante a campanha.
O dirigente contou também que a CBF pegou um empréstimo no Banco Delta, dos Estados Unidos. “Este empréstimo aconteceu em agosto de 1998, quando precisávamos de dinheiro, pois nossa situação financeira só fica normalizada em janeiro, quando entra o dinheiro da Nike. Naquele período, devido à crise da Rússia, encontramos muitas dificuldades de conseguir um empréstimo no Brasil. Por isso recorremos ao Banco Delta”, afirmou Teixeira, que também possui uma conta no banco.