Rio - Onde se posicionar quando o treinador arma o time no 3-5-2? E se, no meio do jogo, ele decidir mudar para o 4-4-2, obrigando o cabeça-de-área a jogar como terceiro zagueiro? E se, em uma situação de emergência, a ordem for surpreender o adversário com o inovador 3-3-1-3? O jogador brasileiro entende o que muda em sua função em cada situação?
A resposta, de acordo com Luiz Felipe Scolari, ainda é não. Nesta segunda-feira, ele armou o time com três zagueiros no treino tático e, como vem fazendo desde que chegou à Granja Comary, insistiu no trabalho minucioso de mostrar onde cada jogador deve se posicionar, enquanto treinava todo tipo de variação. Felipão já apontou a falta de consciência tática como a grende deficiência do jogador brasileiro, em especial o que nunca atuou no exterior. O treinador pretende começar a mudar esta realidade.
“Técnica nos sobra. Mas falta consciência tática. O jogador precisa ter maior noção de posicionamento. A gente acha que, por nossa genialidade, pode mudar de uma hora para outra o que o técnico determinou. Às vezes nossos times ganham, mas quase sempre perdem”, diz o técnico. “O jogador que passou pela Espanha e Itália, em especial, faz isso de forma quase robotizada, automática, de tanto trabalhar isso”.
Os jogadores concordam, em especial os que trabalharam na Europa. O zagueiro Antônio Carlos, por exemplo, não economiza palavras ao falar da diferença entre o conhecimento tático do Brasil e da Europa. “Falando sério, o Brasil está engatinhando quando o assunto é tática. A mentalidade do nosso jogador é voltada para o lado técnico. Quando saí, vi que a mentalidade na Europa é outra. Meu crescimento foi enorme”.
Mauro Silva, constantemente citado por Felipão como um dos raros jogadores capazes de se adaptar a diversos esquemas, diz que só na Europa passou a treinar variações táticas. “No Brasil, somos acostumados a muito poucas alternâncias táticas. Na Europa, treina-se mais variações”.
O lateral-esquerdo Roberto Carlos é mais radical. “Se a gente conseguir se igualar com os europeus na parte tática, a técnica dos nossos jogadores vai sempre fazer a diferença. Não vamos mais perder para os times da Europa. Estaremos sempre num nível acima”.