Rio - Após três semanas de América, o técnico Carlos Alberto Torres descobriu que seu novo clube tem muito em comum com o anterior. Para ele, tanto o Diabo quanto o Flamengo não engrenaram este ano por falta de planejamento de suas diretorias.
O que você acha que está acontecendo com o América?
Carlos Alberto Torres: Exatamente a mesma coisa que aconteceu com o Flamengo. Jogadores experientes como Clóvis e Tinho só chegaram com o campeonato em andamento. Tiveram pouco tempo para treinos e o América, assim como o Flamengo, só vai se acertar quando fizer uma nova pré-temporada.
Você se sente em baixa por estar treinando o América, lanterna do Torneio Rio-São Paulo e que não marcou um ponto?
Torres: Já trabalhei no XV de Piracicaba, no Cabofriense e no Serrano. Comigo não tem essa de time pequeno ou grande.
E as mudanças que o time do Flamengo sofreu no início do ano? Elas te atrapalharam?
Carlos Alberto Torres: Claro! Ao mesmo tempo saíram Reinaldo, Edílson e Vampeta - jogadores que hoje estão brilhando fora do time. Por mais talentosos que fossem os que chegaram, não houve tempo de preparar esse novo time. Até hoje não se sabe ao certo qual o time titular do Flamengo. No meio da competição, mandaram Cássio embora e trouxeram Beto de volta - mais uma prova de que não houve planejamento.
O problema do Flamengo é no comando?
Torres: É. A saída do Mário César (Monteiro, ex-vice-presidente de futebol do Flamengo) foi benéfica para o time. Faltou habilidade para ele quando assumiu. Ele chegou dizendo que ia punir o Pet, mesmo com os salários atrasados. O Oaquim (Walter Oaquim, vice de futebol anterior a Mário César) não deveria ter saído. Ele já tinha experiência e foi inteligente ao levar os jogos para Juiz de Fora.
Por conta do seu desgaste com a torcida do Flamengo, você acredita que vai ser hostilizado no domingo?
Torres: Meu problema com a torcida foi só com meia-dúzia de caras. Saí do Flamengo sem mágoas, deixando amigos na diretoria e no grupo. Terei um prazer enorme em reencontrar a torcida e o time no domingo.