Rio - O ex-presidente do Flamengo Márcio Braga prestou depoimento nesta terça-feira na CPI do Senado, que investiga supostas irregularidades no futebol brasileiro. Quem esperava ver um Márcio agressivo e apresentando várias denúncias em relação a atual diretoria do clube rubro-negro se decepcionou. Ele evitou polemizar com o atual presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva.
Na verdade, Márcio se limitou a debater a legislação esportiva em vigor, fez críticas a esta legislação, sempre dando o Flamengo como exemplo, porém sem polemizar. No fim apresentou várias sugestões que agradaram aos senadores.
A sugestão de Márcio que melhor foi recebida pela CPI foi a da criação de uma agência reguladora do esporte, que teria como finalidade dificultar os desmandos de alguns dirigentes.
Dentre outras propostas apresentadas por Márcio estão a de adoção de gestão profissional no futebol, a definição de um estatuto do atleta, a implantação de um tribunal de penas e a modificação da estrutura administrativa do futebol, com a criação de ligas ou alianças. Segundo Márcio Braga, suas propostas estão baseadas em estudos de sociólogos e doutores estudiosos do assunto.
O dirigente voltou até os anos 30, tempo em que o esporte começou a se profissionalizar, para explicar a crise atual. Ele lembrou que para regulamentar a atividade esportiva no país, o então presidente Getúlio Vargas, em 1941, baixou um decreto em que as confederações eram os órgãos máximos. Apesar da medida ser necessária na época, Márcio lamentou que essa estrutura permaneça até hoje. “Essa estrutura precisa ser abandonada. As leis Zico e Pelé fizeram isso em parte, mas ainda falta muito”, afirmou Márcio, que criticou a diferenciação entre atleta amador e profissional, que segundo ele não existe mais.
Por fim, Márcio bateu na mesma tecla em que os senadores estão martelando desde o início da CPI e defendeu a ação criminal contra maus dirigentes. “Hoje os dirigentes não são julgados por ninguém”, afirmou Márcio Braga.