Ginástica sem esforço funciona?
É o sonho de todo o preguiçoso: ligar eletrodos pelo corpo enquanto vê televisão e, pouco depois, estar com a barriga da feiticeira. "Bobagem", afirma, categoricamente, o personal trainer paulista Flávio Settanni. "Isso não existe. Quem tem objetivo estético vai perder tempo e dinheiro." Na mesma linha, o personal trainer Disnei Sanches afirma: "Se você me perguntar o que é melhor: trinta abdominais por dia ou meia hora desses aparelhos, eu respondo sem dúvida que são os abdominais. A eficiência dos aparelhos é muito pequena." Flávio Settanni explica que os exercícios de musculação funcionam pela contração e pelo posterior alongamento das musculatura (movimentação concêntria e excêntrica). Sem isso, não adianta nada. "Pode ter certeza de que a Feiticeira só usou o aparelho no dia das fotos. Para ficar com aquele corpo, ela teve que malhar muito." A ginástica passiva, aquela em que a máquina trabalha por você, é, em geral, bastante inócua: basta colocar um medidor de consumo de oxigênio na pessoa que se submete ao exercício para verificar que não há alteração em relação ao estado de repouso. Isso significa que os músculos não se contraíram, estão relaxados. Da mesma forma, os choques elétricos para fortalecer os músculos são pouco eficazes. Seria preciso que eles atingissem uma massa muscular muito grande para terem um efeito similar ao mais simples dos exercícios. Sobre isso, a fisioterapeuta Bianca Ribeiro esclarece que os aparelhos conhecidos como "estimulação russa", que dão choques elétricos com alcance profundo, podem melhorar o tônus muscular. "Mas não porporcionam a hipertrofia da musculatura". Ela também avisa que os aparelhos vendidos pela televisão têm um alcance muito superficial, e não trazem, nem de perto, os efeitos prometidos. "O ideal é que a pessoa saudável faça exercícios regularmente, mesmo que recorra à estimulação elétrica", ensina. A ginástica passiva e os estimuladores elétricos são indicados para quem perdeu os movimentos e corre o risco de ter problemas circulatórios pelo enrijecimento da muscultaura. Pode também ajudar as pessoas com obesidade mórbida, e que nem conseguem sair da cama. "Mas, se você tem saúde e quer ficar com o corpo legal, só o exercício faz diferença, pois é preciso mexer com o metabolismo e com a freqüência cardíaca - o que você não consegue tomando choque enquanto vê televisão", esclarece Disnei Sanches.
Redação Terra
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