Recife - Treinar uma equipe de futebol no Brasil é difícil, por todas as cobranças e por todos pensarem entender bem a situação do clube. Pois Heron Ferreira, 44 anos, sabe que está à frente de uma nação fiel, apaixonada e carente por vitórias e títulos.
Heron, apesar da idade, já tem uma experiência de 19 anos, como treinador. Começou a carreira como preparador físico no Vasco, em 1980. A primeira aventura como técnico foi no juniores do próprio Vasco, em 1983. De lá para cá passou por clubes como o Americano, União São João, Ituano, Bragantino, Al Hilal da Arábia e Juventude, onde conquistou o título brasileiro da Série B, até chegar ao Santa Cruz.
No Tricolor, vem sofrendo críticas da imprensa e da torcida, principalmente pelas substituições que realiza nos jogos e por insistir, por algum tempo, em encaixar o lateral-esquerdo Domires, no time titular.
Neste sábado ele enfrenta pela primeira vez o Náutico, em uma partida decisiva para o futuro das duas agremiações. Heron fala do momento atual do time e de sua expectativa para o Clássico das Emoções.
Qual a análise que você faz do Santa Cruz no momento em que o Campeonato do Nordeste chega à sua fase decisiva?
Nossa equipe está crescendo na hora certa, durante a competição. Tivemos um problema grande no início, quando o time foi montado praticamente do zero. Agora, estamos numa crescente visível e a prova é estarmos disputando uma vaga à próxima fase.
E o que você espera do clássico contra o Náutico, já que, além da rivalidade, os dois times estão na briga pela classificação?
É um clássico carregado de motivação, um jogo muito difícil. Se as duas equipes não estivessem na briga já seria um clássico bastante motivado, imagine com os dois times brigando por uma vaga para a segunda fase?
Dentro deste contexto, quais as chances do Santa Cruz se classificar?
Só dependemos de nós mesmos. Temos que pensar em vencer nossos compromissos contra Náutico, Fortaleza e América e não dependeremos de outros resultados. Não vou nem falar em porcentagem. Se não vencermos nossos jogos, não teremos a vaga, é simples.
O que você espera encontrar de dificuldades na partida deste sábado?
Prefiro não falar do Náutico. Tudo o que eu falar sobre o Náutico poderá ser usado contra mim. É uma boa equipe e que está na briga por uma das vagas.
Você perdeu o zagueiro Alex Xavier no treino desta quarta-feira. Em contra-partida, você tem o atacante Júnior Amorim voltando a ter um bom momento, selando a recuperação de um problema que o fez parar por quase dois meses com o gol da vitória sobre o Fluminense-BA. O que você tem a comentar sobre esses atletas?
São jogadores que acrescentam muito ao grupo que, de certa forma, transformam a maneira do time jogar. É uma pena perder o Alex, mas é uma coisa que acontece. Vamos ver se ele se recupera para o jogo seguinte. Quanto a Júnior Amorim, só vou decidir na hora da partida. Ele está voltando agora. Se não se queixar da musculatura presa, posso utilizar ele no começo. Mas Carlinhos pode perfeitamente começar a partida.
Você já sentiu no jogo contra o Sport que a rivalidade dentro de Pernambuco é muito forte. O que você espera para o jogo contra o Náutico?
Não tem como fugir disso. É um clássico. Foi sempre assim por onde passei, como no Paraná, por exemplo.